Abiove: PIB da cadeia da soja e do biodiesel sobe 11,7%; renda cai pelo 4º ano

Os dados constam de relatório divulgado nesta quinta-feira, 7, pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP

07/05/2026 às 17:02 atualizado por Gabriel Azevedo - Estadão
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São Paulo, 7 - A cadeia produtiva da soja e do biodiesel produziu e processou mais em 2025, mas ganhou menos. O PIB em volume cresceu 11,72%, para R$ 691,9 bilhões, enquanto a renda real caiu 0,55%, porque os preços dos produtos da cadeia produtiva recuaram mais do que o avanço físico. Os dados constam de relatório divulgado nesta quinta-feira, 7, pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP, em parceria com a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove).

"É o quinto maior avanço que a gente tem na nossa série histórica desde 2010 em termos de PIB", afirmou a professora da Esalq/USP e pesquisadora doutora do Cepea, Nicole Rennó Castro, durante coletiva de imprensa. O principal impulso veio da produção de soja no campo. O PIB-volume do segmento subiu 23,41%, reflexo da safra recorde de 171,5 milhões de toneladas em 2024/25, segundo a Abiove, favorecida por aumento de área, ganho de produtividade e clima. O resultado também incorpora base de comparação mais fraca, depois da quebra da safra anterior. "Parte desse crescimento muito expressivo, 23,4%, é também recuperação da safra", disse.

A agroindústria avançou 5,21% em volume. O esmagamento e refino cresceu 5,15%, sustentado pela disponibilidade de grão e pela demanda por derivados. O biodiesel subiu 8,51%, impulsionado pela elevação da mistura obrigatória no diesel de 14% para 15% a partir de 1º de agosto de 2025.

As rações subiram 2,80%, com apoio das vendas ao setor de aves. O problema veio dos preços. Os preços relativos da cadeia, que medem o quanto os produtos do setor se valorizaram em relação à média da economia, recuaram 10,98% em 2025. É essa queda que explica a renda menor, mesmo com volume maior: a cadeia vendeu mais, mas a preços piores.

No caso da soja, o grão ficou praticamente no mesmo nível nominal de 2024, mas os custos de produção, com destaque para fertilizantes e defensivos, subiram, corroendo a margem dos produtores. Na agroindústria, o farelo concentrou a piora. As cotações do produto ficaram nos menores níveis em 14 anos, segundo o Cepea, pressionadas pelo aumento da oferta em cenário de esmagamento recorde no Brasil e no mundo e por mudanças nas retenções argentinas. Rações também cederam.

Do lado positivo, o óleo de soja acumulou alta de 17,9% no ano, apoiado pela demanda global para biodiesel, e o biocombustível também se valorizou. Com esse quadro, 2025 foi o quarto ano consecutivo de queda da renda real da cadeia, depois dos recordes de 2020 e 2021. "Não que tenha sido um ano ruim, mas ele teve uma piora em relação a 2024", disse Nicole. O PIB-renda de R$ 691,9 bilhões ficou 68% acima do registrado em 2018, de R$ 412,2 bilhões, que era o maior nível observado antes da pandemia. A cadeia respondeu por 21,6% do PIB do agronegócio e por 5,4% do PIB brasileiro em 2025. Os agrosserviços representaram a maior fatia da renda, com R$ 392,1 bilhões.

A soja gerou R$ 176,7 bilhões, a agroindústria R$ 87,7 bilhões e os insumos R$ 35,4 bilhões. As exportações cresceram em volume, mas recuaram em receita. Os embarques somaram 133,72 milhões de toneladas, alta de 7,75% ante 2024. O valor exportado cedeu 1,46%, para US$ 53,46 bilhões, refletindo queda de 8,54% nos preços médios. A China seguiu como principal destino, enquanto avançaram os embarques para União Europeia, Sudeste Asiático e Índia.