Brasil expande exportações de soja e milho em 2025 e consolida liderança global

Redirecionamento da demanda chinesa, safra recorde, recuperação do milho e maior uso dos portos do Arco Norte impulsionam o Brasil a novos patamares em 2025, mesmo com tensões comerciais e riscos geopolíticos

11/02/2026 às 10:43 atualizado por Redação - SBA
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O ano de 2025 foi marcado por um ambiente global desafiador, influenciado pela chamada “guerra comercial 2.0” entre Estados Unidos e China, iniciada após a imposição de novas tarifas pelo governo norte‑americano a partir de abril. As medidas elevaram substancialmente o custo de uma série de produtos chineses e provocaram retaliações igualmente fortes. Em determinados momentos, as tarifas aplicadas aos produtos norte‑americanos superaram 100%, tornando inviável durante meses o comércio entre as duas maiores economias do mundo. Nesse cenário, a soja voltou a ser um dos principais alvos da disputa, levando a China a interromper temporariamente suas compras dos Estados Unidos e a redirecionar a demanda para a América do Sul, especialmente para o Brasil.

Recorde histórico nas exportações de soja

A combinação entre o redirecionamento do fluxo comercial e a safra recorde de 2024/25 permitiu ao Brasil atingir um novo recorde histórico nas exportações de soja, chegando a 108,2 milhões de toneladas em 2025. Esse volume representa um crescimento de 9% em relação ao ano anterior e supera em 6% o recorde anterior registrado em 2023. A China manteve-se como o principal destino da oleaginosa brasileira, absorvendo 85,43 milhões de toneladas — o equivalente a 79% de tudo o que foi exportado. Esse montante é 17,7% superior ao de 2024 e 14,7% maior que o recorde de 2023. A Espanha ocupou a segunda posição, com aproximadamente 4 milhões de toneladas.

Arco Norte ganha protagonismo na logística da soja

O porto de Santos permaneceu na liderança, com 34,57 milhões de toneladas movimentadas em 2025 — alta de 24% em relação ao ano anterior. Logo atrás aparece o porto de São Luís, no Maranhão, que exportou 15,85 milhões de toneladas, crescimento de 14%. O movimento também evidencia o avanço consistente dos portos do chamado Arco Norte nos últimos anos, com Belém ultrapassando Rio Grande e se consolidando como alternativa crescente.

Milho tem recuperação após queda em 2024

As exportações brasileiras de milho atingiram 40,98 milhões de toneladas em 2025, alta de 3% em comparação com o ano anterior, embora ainda distantes do recorde de 55,89 milhões de toneladas em 2023. O Irã voltou à liderança entre os compradores, adquirindo 9,08 milhões de toneladas, um salto de 109% em comparação com 2024. O Egito também ampliou suas compras, enquanto a China caiu para a quinta posição.

Portos do Arco Norte também crescem no milho

Na logística do milho, Santos liderou com 14,69 milhões de toneladas, embora com queda anual. Belém manteve a segunda posição com 6,76 milhões, enquanto Paranaguá registrou forte retomada, saltando para 5,03 milhões de toneladas.

Perspectivas para 2026

Para 2026, as projeções mostram espaço para novos avanços, embora com desafios. No caso da soja, a expansão dependerá do comportamento da demanda chinesa e da evolução das relações comerciais entre China e Estados Unidos. Ainda assim, o país pode alcançar 112 milhões de toneladas exportadas. No milho, o principal ponto de atenção é o contexto geopolítico envolvendo o Irã, mas a demanda chinesa pode favorecer novamente a América do Sul. As expectativas apontam para exportações próximas de 44 milhões de toneladas.

“O que observamos em 2025 foi uma mudança estrutural no fluxo global de grãos. A combinação entre disputas comerciais e vantagens competitivas do Brasil reposicionou o país como fornecedor prioritário em um momento de reorganização das cadeias agrícolas internacionais”, avalia Luiz Roque, coordenador de Inteligência de Mercado da Hedgepoint.

Segundo ele, a dependência chinesa da América do Sul ficou ainda mais evidente, e esse movimento deve continuar exigindo atenção à dinâmica geopolítica. “A relação EUA–China seguirá como o principal vetor de incerteza. Cada ajuste tarifário ou diplomático tem potencial para reconfigurar o comércio agrícola, e o Brasil precisa estar preparado para responder rapidamente”, diz.

Sobre o milho, Roque destaca que o comportamento dos importadores tradicionais e emergentes também moldará 2026. “Vemos uma recomposição gradual da demanda, com alguns mercados retomando força e outros passando por realinhamentos internos. O ambiente continua construtivo, mas sensível a fatores externos — especialmente no Oriente Médio”, afirma.

O especialista finaliza ressaltando o papel estratégico da logística: “A competitividade brasileira está cada vez mais vinculada ao avanço dos corredores logísticos, especialmente no Arco Norte. Essa evolução amplia a eficiência da nossa originação e reforça o potencial de crescimento para o próximo ciclo”, diz.,

 

Informações:  Assessoria Hedgepoint Global Markets