Brasil exporta 3,1 milhões de sacas de café em abril

Volume implica leve alta de 0,6% ante mesmo mês de 2025; receita cambial, contudo, recua 17,7%, para US$ 1,109 bilhão

12/05/2026 às 16:45 atualizado por Redação - SBA
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Os embarques do setor cafeeiro somaram 3,122 milhões de sacas de 60 kg em abril de 2026, volume que implica leve crescimento de 0,6% em relação aos 3,105 milhões registrados no mesmo mês do ano passado. Em receita cambial, contudo, houve decréscimo de 17,7% no mesmo período comparativo, com os valores recuando de US$ 1,347 bilhão para os atuais US$ 1,109 bilhão. Os dados constam no relatório estatístico mensal do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé).
 
De acordo com o presidente da entidade, Márcio Ferreira, a elevação no volume embarcado reflete a chegada de alguns cafés da nova safra, principalmente os canéforas, ao passo que o menor ingresso de dólares resulta do cenário internacional de preços.
 
“Em abril, já foi possível observar a entrada de conilon e robusta colhidos neste ano, que se somam a alguns cafés remanescentes da colheita anterior. No tocante à queda da receita, ela se justifica pelo recuo observado nas cotações internacionais frente ao ano passado”, relata.
 
Com o desempenho no mês passado, as exportações no acumulado dos 10 meses do ano safra 2025/26 somam 32,247 milhões de sacas, volume que implica queda de 19,4% na comparação com os embarques aferidos entre julho de 2024 e abril de 2025. A receita cambial, por sua vez, subiu 0,8% nesse intervalo, saltando para US$ 12,551 bilhões.
 
ANO CIVIL
De janeiro ao fim de abril deste ano, as exportações de café do Brasil totalizam 11,619 milhões de sacas, situando-se 16,1% abaixo dos 13,843 milhões registrados no primeiro quadrimestre de 2025. A entrada de recursos com essas remessas soma US$ 4,490 bilhões, montante 14,4% inferior aos US$ 5,247 bilhões obtidos nos primeiros quatro meses do ano passado.
 
“O declínio que observamos até agora em 2026, tanto em volume, quanto em receita, já era esperado a essa altura. Além da baixa entrada dos cafés da safra nova, o ano passado, que teve oferta menor, registrou um bom volume de exportações, assim restaram poucos cafés remanescentes, particularmente os arábicas”, comenta Ferreira.
 
Por outro lado, ele aponta que a exportação de robusta e conilon, em abril de 2026, representa uma alta de 374% quando comparada ao mesmo mês do ano passado. “Tendo em vista que a variedade canéfora representa valor absoluto por saca bem inferior ao arábica, o impacto na receita total nas exportações de café verde não vai na mesma direção do aumento substancial do volume dos canéforas”, explica.
 
O presidente do Cecafé conclui que, com menor volume de exportação de arábica no mês e no quadrimestre, “automaticamente tivemos menos ingresso de dólares, a ressaltar, ainda, a atual queda substancial nas cotações internacionais para as duas variedades”.
 
PRINCIPAIS DESTINOS
A Alemanha segue como o maior importador dos cafés do Brasil no primeiro quadrimestre de 2026, com a aquisição de 1,563 milhão de sacas. Esse volume representa 13,4% dos embarques totais do país no período, apesar de implicar queda de 12,8% na comparação com o mesmo período de 2025.
 
Os EUA aparecem na sequência, com 1,390 milhão de sacas importadas, o que significa um recuo de 41,5% ante os quatro primeiros meses de 2025 e representa 12% do total. Fechando o top 5, vêm Itália, com 1,182 milhão de sacas e alta de 3,2%; Bélgica, com 713.790 sacas e avanço de 15,4%; e Japão, com 612.720 sacas e queda de 29,7%.
 
TIPOS DE CAFÉ
O café arábica, com 8,984 milhões de sacas, permanece como o mais exportado pelo Brasil entre janeiro e abril de 2026. Esse montante equivale a 77,3% do total embarcado, mesmo representando queda de 23,4% frente ao primeiro quadrimestre do ano passado.
 
Na sequência, com o equivalente a 1,338 milhão de sacas remetidas ao exterior, aparece o segmento do café solúvel, que subiu 4,1% na comparação com os quatro primeiros meses de 2025. Esse tipo de produto responde por 11,5% das exportações totais no período atual.
 
Os cafés canéforas (conilon + robusta), com 1,284 milhão de sacas – alta de 58,8% e 11% do total –, e o produto torrado e torrado e moído, com 14.259 sacas (-23,7% e 0,1% de representatividade), completam a lista.
 
CAFÉS DIFERENCIADOS
Os cafés que possuem qualidade superior, certificados de práticas sustentáveis e/ou especiais responderam por 17,9% das exportações totais brasileiras de janeiro ao fim de abril deste ano, com a remessa de 2,076 milhões de sacas ao exterior. Esse volume é 36,3% inferior ao registrado no mesmo intervalo de 2025.
 
A um preço médio de US$ 443,03 por saca, a receita cambial com os embarques dos cafés diferenciados foi de US$ 919,888 milhões, o que correspondeu a 20,5% do obtido com todos os embarques de café no primeiro quadrimestre de 2026. No comparativo anual, o valor é 34,9% menor do que o registrado nos quatro primeiros meses do ano passado.
 
A Alemanha também lidera o ranking dos principais destinos dos cafés diferenciados, com a compra de 268.243 sacas, o equivalente a 12,9% do total desse tipo de produto exportado.
 
Fechando o top 5, aparecem Itália, com 250.545 sacas e representatividade de 12,1%; EUA, com 240.825 sacas (11,6%); Bélgica, com 220.979 sacas (10,6%); e Holanda (Países Baixos), com 145.189 sacas (7%).
 
PORTOS
O Porto de Santos foi o principal exportador dos cafés do Brasil no primeiro quadrimestre, com 8,678 milhões de sacas e representatividade de 74,7% no total. Na sequência, vieram o complexo portuário do Rio de Janeiro, que respondeu por 21,3% dos embarques ao remeter 2,476 milhões de sacas ao exterior, e o Porto de Paranaguá (PR), que embarcou 132.487 sacas e teve representatividade de 1,1%.
 
O relatório completo das exportações dos cafés do Brasil, com a atualização referente a abril de 2026, está disponível no site do Cecafé: https://www.cecafe.com.br/.

 

Informações: Assessoria Cecafé