Cacau: fatores técnicos dominam no curto prazo, com clima em atenção

Relatório da Hedgepoint Global Markets aponta que fatores técnicos seguem predominantes no curto prazo, mas riscos climáticos podem intensificar a volatilidade nas próximas semanas

12/02/2026 às 14:59 atualizado por Redação - SBA
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Os preços do cacau oscilaram dentro de um intervalo bem definido nos últimos dias, em um movimento dominado por fatores técnicos, antes de atingirem o menor nível em dois anos na terça-feira, 10 de fevereiro. Segundo análise da Hedgepoint Global Markets, apesar do comportamento mais lateralizado nas bolsas de Nova York e Londres, as condições climáticas nas principais origens (Costa do Marfim e Gana) continuam sendo um dos principais fatores de atenção do mercado, com potencial de alterar rapidamente a dinâmica de preços.

“Estamos vendo um mercado guiado mais por ajustes técnicos no período recente, mas que permanece altamente sensível às atualizações climáticas nas regiões produtoras. Mesmo pequenas mudanças no padrão de chuva podem gerar movimentos significativos nas cotações,” avalia Carolina França, analista de inteligência de mercado da Hedgepoint Global Markets.

Mercado técnico e volatilidade persistente

Na última sexta-feira, 6 de fevereiro, os futuros do cacau encerraram em queda, revertendo a tentativa de recuperação vista no dia anterior. Nesse contexto, o mercado manteve um comportamento mais lateralizado, com as cotações oscilando dentro de intervalos observados recentemente, entre 4.086 e 4.401 USD/t em Nova York e 2.885 e 3.129 GBP/t em Londres. As cotações encontram limitações técnicas importantes e operam próximas a zonas de sobrevenda, o que aumenta a sensibilidade a qualquer novidade meteorológica.

Costa do Marfim - Chuvas ainda favoráveis, mas temperaturas elevadas preocupam

A Costa do Marfim, maior produtor global de cacau, apresenta um quadro climático misto. A precipitação semanal foi abaixo da média nos últimos dias, levantando alertas para as próximas semanas. Já o acumulado desde o início da safra está ligeiramente acima da média, o que mantém perspectivas razoáveis para o ciclo 2025/26, caso o padrão se mantenha.

As temperaturas acima da média, aumentam o risco de estresse hídrico e avanço de doenças. Estimativa da organização sem fins lucrativos Enveritas indica que o vírus CSSV (Cacao Swollen Shoot Virus - Vírus do Broto Inchado do Cacau) já ameaça cerca de 15% da produção do país.

“As temperaturas elevadas são um ponto crítico. Quando combinadas com chuva irregular, potencializam o rico de estresse hídrico nas árvores, já 0 volume de chuvas acima da média, pode criar um ambiente propício ao avanço de doenças como o CSSV, que já coloca parte da capacidade produtiva em risco,” destaca Carolina.

Gana: chuvas acima da média no acumulado, mas duas semanas de queda no volume acendem alerta complementar

Em Gana, segundo maior produtor global, o volume acumulado de chuvas entre outubro/25 e fevereiro/26 está acima da média e superior à safra anterior. Porém, as duas últimas semanas registraram precipitação abaixo da média, exigindo acompanhamento atento. O comportamento climático nas próximas semanas será determinante para a formação da safra intermediária, que já está no radar do mercado.

Clima segue como um dos principais vetores de volatilidade

Com o mercado técnico e as cotações mais lateralizadas, qualquer mudança no clima poderá intensificar a volatilidade no curto prazo, principalmente em um ambiente já próximo de sobrevenda. “O mercado deve continuar reagindo de forma rápida a qualquer novidade climática e mudança nos fundamentos. O investidor precisa acompanhar de perto os dados meteorológicos das origens,” finaliza Carolina França.

Informações: Hedgepoint Global Markets