Caravana Frutas celebra o primeiro embarque de uvas com tarifa zero para a União Europeia
Marco histórico representa o salto bilionário nas exportações do setor e o protagonismo dos bioinsumos na sustentabilidade do agronegócio
O Vale do São Francisco foi palco, nesta sexta-feira (22), de um divisor de águas para a fruticultura brasileira. Produtores, autoridades públicas e lideranças setoriais reuniram-se no Auditório da Valexport, em Petrolina (PE), para a Caravana Frutas – Do Vale para o Mundo. O evento marcou o registro institucional do primeiro embarque de uvas frescas com tarifa zero destinado à União Europeia.
A solenidade oficial de abertura contou com a presença do Ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula; do presidente da ApexBrasil, Laudemir Müller; do presidente da ABRAFRUTAS, Waldir Promicia; e da presidente da CropLife Brasil, Ana Repezza. Também prestigiaram o encontro a prefeita de Lagoa Grande (PE), Catharina Garziera; o secretário de Desenvolvimento Agrário, Agricultura, Pecuária e Pesca de Pernambuco, Cícero Moraes; o deputado federal Fernando Monteiro; o vice-prefeito de Petrolina, Ricardo Coelho; e o presidente do Conselho de Administração da Embrapa (Consad), Guilherme Coelho.
Mercado bilionário
A abertura do mercado europeu sem tarifas coloca o Brasil diante de um ecossistema comercial de proporções gigantescas. O presidente da ApexBrasil, Laudemir Müller, apresentou dados macroeconômicos que ilustram o tamanho da oportunidade e relembrou a trajetória de sucesso construída na última década por meio da parceria com a Associação Brasileira dos Produtores Exportadores de Frutas e Derivados (ABRAFRUTAS).
"A Europa importa 7 trilhões de dólares; só de fora do bloco são 3 trilhões de dólares. O Mercosul importa 342 bilhões. Então é nesse mercado que nós vamos entrar sem tarifa. Algumas mais rápido, como a uva que já é zero agora, e outros que lá para frente vão cair a tarifa. A fruticultura vai ser uma das grandes beneficiadas. Quando começamos a parceria da ApexBrasil com a Abrafrutas in 2014, o Brasil exportava 413 milhões de dólares de fruta. Ano passado exportamos 1 bilhão e 450 milhões. Em 10 anos, nós trouxemos ao Brasil 1 bilhão de dólares a mais dessa fruticultura", destacou Müller.
Uma conquista histórica
A eliminação da alíquota de importação foi apontada como o resultado de um esforço interinstitucional de longo prazo. Durante a solenidade, o ministro André de Paula enfatizou a relevância da conquista para a economia regional, lembrando o impacto direto no bolso do produtor do Nordeste.
"É a luta de muita gente que acreditou que isso fosse possível. E esse acordo que vai beneficiar cerca de 5.000 itens, a grande maioria desses produtos vem do Agro. E um exemplo muito claro, até porque esse é um exemplo de algo que já acontece agora a partir do primeiro momento, está aqui nas nossas uvas que antes eram taxadas com 12% e agora terão uma taxação de zero. Isso faz diferença quando a gente sabe que 75% do que a gente exporta aqui vai para a Europa. A gente agora vai exportar sem esse ônus, com melhores condições de competitividade e com maior retorno para o produtor", discursou o ministro.
Tecnologia verde e bioinsumos como passaporte internacional
Para sustentar o ritmo de crescimento e atender às exigências rigorosas de segurança alimentar e critérios ESG do bloco europeu, a Caravana Frutas também foi palco de debates técnicos profundos sobre inovação tecnológica.
Ana Repezza, presidente da CropLife Brasil, trouxe dados expressivos que consolidam o Brasil como a principal potência global no manejo sustentável e na aplicação de biológicos, uma realidade muito presente na horticultura local.
"O Brasil é hoje o país que mais adota bioinsumos em suas culturas, com crescimento de 21% na adoção em relação a 2024. Esse é um mercado que movimentou R$ 6,2 bilhões de reais em 2025 com crescimento de 28% da área tratada. São 194 milhões de hectares tratados com bioinsumos no Brasil e boa parte dessa área voltada para fruticultura.”
Com a tarifa zero consolidada e uma matriz produtiva cada vez mais limpa e inovadora, a expectativa das instituições organizadoras é que o Vale do São Francisco amplie sua participação no mercado internacional, gerando mais emprego, renda e desenvolvimento para todo o ecossistema do Nordeste brasileiro.
Informações: APEXBRASIL



