Carta Insumos - Custos de importação de fertilizantes crescem no primeiro quadrimestre de 2026 e elevam preocupações para a safra 2026/27

O Brasil está pagando mais pelos insumos em meio à instabilidade global, aumentando preocupação para a safra 2026/27

21/05/2026 às 08:07 atualizado por Redação - SBA
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O Brasil importou aproximadamente 11,8 milhões de toneladas de adubos e fertilizantes químicos (exceto fertilizantes brutos) no primeiro quadrimestre de 2026, volume 2,7% maior que no mesmo período de 2025. O desembolso no período cresceu mais e somou US$4,3 bilhões, alta de 16,7% em relação ao ano anterior, segundo apuração da Scot Consultoria.

Figura 1.
Importação de adubos e fertilizantes químicos (exceto fertilizantes brutos): volume em milhões de toneladas (eixo esquerdo) e gasto em bilhões de dólares (eixo direito).


Fonte: Comex/Elaborado pela Scot Consultoria

 

Os problemas no Oriente Médio diminuíram o fornecimento de um dos principais fornecedores globais, além do fechamento do Estreito de Ormuz que comprimiu as exportações do insumo, e elevou o preço do frete e do gás natural, insumo fundamental para a produção de fertilizantes.

Além disso, a continuidade da guerra na Ucrânia manteve restrições sobre produtos russos, enquanto a China permaneceu fora do mercado exportador de fosfatados, forçando os compradores a disputarem volumes de outros países. Esse conjunto de fatores sustentou a alta da cotação dos insumos e dos custos logísticos, fazendo com que o Brasil pagasse mais pelas importações, movimento que repercutiu no mercado interno.

Entre o início do ano e o fim de abril, a cotação do sulfato de amônio e da ureia subiu 41,0% e 18,0%, respectivamente. Entre os potássicos, a cotação do cloreto de potássio em pó subiu 24,8%, enquanto o granulado subiu 18,8%. Os fosfatados acompanharam esse movimento, com a cotação do superfosfato simples subindo 27,6% no mesmo período.

Figura 2.
Avanço das cotações dos principais fertilizantes nos últimos meses, sem considerar o frete, em reais por tonelada.


Fonte: Scot Consultoria

Essa escalada elevou o custo de produção, reduziu a margem do produtor e colocou em risco a produtividade e a competitividade da produção brasileira. A próxima safra de soja por exemplo preocupa antes mesmo da semeadura. Com o mercado de fertilizantes pressionado, os produtores brasileiros estão conservadores nas compras para a temporada 2026/27. Segundo o Sindiadubos-PR, apenas metade dos fertilizantes necessários para a safra foi negociada, abaixo do histórico para esta época do ano que seria superior a 60%.

O cenário acende um alerta, já que os meses de maior chegada de produtos aos portos brasileiros ainda estão por vir e ainda não foi registrado o volume esperado de negócios antecipados. Caso as compras fiquem concentradas próximas do plantio, o país pode enfrentar gargalos logísticos, como fila de navios, atraso nas descargas, dificuldades na distribuição e mais altas geradas pela demanda aquecida num curto espaço de tempo.

Para o curto prazo, não são esperados recuos nas cotações. O cenário provável é de acomodação dos preços ou continuidade das altas. O mercado de fertilizantes está dependente dos desdobramentos geopolíticos globais e, uma reversão significativa do cenário atual é pouco provável. Nesse cenário, a recomendação é que os produtores planejem estrategicamente, reduzindo a exposição a riscos como falta de produto, atrasos nas entregas e novas altas nos preços.

 

Informações: Scot Consultoria