Cecafé pede aos EUA manutenção da isenção tarifária e inclusão do café solúvel brasileiro

Entidade afirma que o café brasileiro é estratégico para o mercado norte-americano e alerta que novas tarifas podem elevar custos para a indústria e para os consumidores dos Estados Unidos

07/07/2026 às 15:30 atualizado por Redação - SBA
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O Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) defendeu que o governo dos Estados Unidos mantenha a isenção tarifária aplicada à maior parte dos cafés brasileiros e amplie o benefício ao café solúvel sem adição de aromatizantes. O pedido foi apresentado durante audiência pública da investigação comercial conduzida com base na Seção 301 da legislação norte-americana.

Representando a entidade, o diretor-geral do Cecafé, Marcos Matos, destacou que o Brasil ocupa posição estratégica no abastecimento do mercado de café dos Estados Unidos e que a adoção de tarifas sobre os produtos brasileiros teria impactos negativos para toda a cadeia produtiva norte-americana.

Segundo Matos, o Brasil responde por mais de 30% do café consumido nos Estados Unidos e permanece como o principal fornecedor do país. Para o executivo, a produção brasileira reúne características que tornam o produto praticamente insubstituível, graças à capacidade de oferecer volumes consistentes, qualidade e um sistema produtivo eficiente e sustentável.

O principal pleito do Cecafé é que o café solúvel sem aromatizantes também passe a integrar a lista de produtos isentos das tarifas previstas na Seção 301. De acordo com a entidade, esse tipo de café é utilizado como matéria-prima na fabricação de bebidas prontas para consumo (RTD) e de produtos cold brew, segmentos que registram forte crescimento no mercado norte-americano.

Como os Estados Unidos praticamente não produzem esse insumo, a aplicação de tarifas poderia aumentar os custos da indústria local e reduzir a competitividade dos fabricantes americanos frente a concorrentes de outros países.

Dados apresentados pelo Cecafé mostram que, em 2025, o Brasil exportou cerca de 15 milhões de quilos de café solúvel sem aromatizantes para os Estados Unidos. O volume representa, em média, mais de 30% de todas as importações norte-americanas desse produto nos últimos cinco anos.

Na avaliação da entidade, manter a isenção tarifária fortalece a integração entre os dois mercados, garante o abastecimento da indústria dos Estados Unidos e preserva a competitividade de um setor que depende da oferta regular do café brasileiro.

O posicionamento do Cecafé ocorre em um momento de discussões sobre medidas comerciais entre Brasil e Estados Unidos e reforça a importância do café como um dos principais produtos do agronegócio brasileiro no comércio internacional.

Fonte: Estadão