Chuvas e frio úmido atrasam início da colheita do algodão em Mato Grosso e acendem alerta para qualidade da fibra

Para a safra 2025/26, os produtores mato-grossenses já negociaram 71,86% da produção estimada

30/06/2026 às 14:54 atualizado por Redação - SBA
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As chuvas registradas nas últimas semanas em Mato Grosso adiaram o início da colheita do algodão da safra 2025/26 e acenderam um sinal de alerta para os cotonicultores em relação à qualidade da fibra. É o que aponta o novo boletim semanal do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), divulgado na segunda-feira (29).

Até a última sexta-feira (26), a colheita do algodão no estado havia alcançado apenas 0,36% da área prevista. Segundo o Imea, mesmo que esse percentual esteja acima do registrado no mesmo período da safra passada, quando os trabalhos atingiam 0,21%, o ritmo segue 1,23 ponto percentual (p.p) abaixo da média dos últimos cinco anos.

O instituto aponta que esse atraso ocorreu devido às precipitações registradas em determinadas regiões do estado, associadas ao clima frio e úmido. Na semana passada, a massa de ar polar derrubou os termômetros em várias cidades, chegando a 14,7°C em Rondonópolis e 17,9°C em Sorriso. Cenário que levou muitos produtores a optarem por postergar o início da colheita.

De acordo com a analista de algodão do Imea, Cintia Teixeira, o atual momento exige atenção do setor. “Observamos um ritmo bastante lento na colheita em função das precipitações registradas nas últimas semanas. Muitos produtores optaram por aguardar melhores condições para iniciar os trabalhos no campo. Além de atrasar a colheita, as chuvas podem comprometer a qualidade da fibra e aumentar a probabilidade de apodrecimento dos capulhos no baixeiro das plantas, principalmente nas áreas mais avançadas”, explica.

A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) indica previsão de chuvas isoladas em Mato Grosso nas próximas semanas, porém em menor intensidade. Até o momento, apenas as regiões Nordeste e Sudeste iniciaram a colheita da pluma em Mato Grosso.

“A redução das precipitações tende a favorecer o avanço da colheita e diminuir os riscos para a qualidade da fibra, especialmente nas lavouras mais tardias. Esse cenário é positivo para o produtor e pode permitir uma aceleração dos trabalhos no campo nas próximas semanas”, destaca Cintia.

 

Produção recorde e comercialização

Mesmo com o atraso no início da colheita, as perspectivas para a safra de algodão em Mato Grosso permanecem positivas. No relatório de junho, o Imea elevou a estimativa de produtividade para 304,02 arrobas por hectare, crescimento de 2,13% em relação à projeção divulgada em maio, quando o rendimento estimado era de 297,69 arrobas por hectare.

Com a revisão, a produção de algodão em caroço foi reajustada para 6,27 milhões de toneladas, novo recorde para a cultura em Mato Grosso e um dos maiores volumes já registrados pelo estado.

Para a safra 2025/26, os produtores mato-grossenses já negociaram 71,86% da produção estimada. Já a comercialização da safra 2026/27 segue mais lenta. Até junho, apenas 23,21% da produção projetada para o próximo ciclo havia sido negociada antecipadamente.

 

Informações: Assessoria Famato