Confiança do consumidor fica estável em junho, mas pessimismo com o futuro cresce
Indicador da FGV mostra melhora na percepção da situação financeira atual, mas brasileiros seguem cautelosos em relação aos próximos meses

A confiança do consumidor brasileiro permaneceu praticamente estável em junho, segundo dados divulgados pela Fundação Getulio Vargas (FGV). O Índice de Confiança do Consumidor (ICC) registrou leve queda de 0,1 ponto, encerrando o mês em 88,7 pontos, sinalizando um cenário de equilíbrio entre a melhora das condições atuais e a preocupação com o futuro.
De acordo com a economista Anna Carolina Gouveia, da FGV Ibre, o resultado revela uma acomodação da confiança dos consumidores. Enquanto a percepção sobre a situação financeira presente mostrou avanços, as expectativas para os próximos meses seguem mais negativas.
A avaliação das condições atuais foi impulsionada principalmente pela melhora da situação financeira das famílias. O Índice de Situação Atual (ISA) avançou 0,9 ponto e alcançou 87 pontos, registrando a terceira alta consecutiva e o melhor resultado desde outubro de 2014.
Segundo a economista, fatores como a manutenção de um mercado de trabalho aquecido e medidas voltadas à renegociação e redução do endividamento das famílias contribuíram para uma visão mais positiva do momento atual.
Por outro lado, o Índice de Expectativas (IE) recuou 0,9 ponto, chegando a 90,4 pontos. Os consumidores demonstraram maior cautela em relação aos próximos meses, especialmente no que se refere à compra de bens duráveis e à expectativa sobre a situação financeira futura das famílias.
O indicador de intenção de compra de produtos duráveis apresentou uma das maiores quedas do levantamento, recuando três pontos. Já a percepção sobre a condição financeira futura também perdeu força, refletindo um ambiente de incerteza para parte da população.
A pesquisa mostrou ainda diferenças entre as faixas de renda. Consumidores com rendimentos mais baixos registraram aumento na confiança, enquanto aqueles com renda mensal acima de R$ 4.800 apresentaram redução no indicador.
O resultado sugere que, embora os brasileiros estejam percebendo uma melhora nas condições econômicas do presente, ainda existe cautela em relação ao cenário futuro, especialmente diante dos desafios econômicos e das incertezas que seguem no horizonte.
Fonte: Estadão



