Contra o El Niño: comunidade e produtores formam novos brigadistas contra o fogo na Amazônia

Estratégia em Paragominas (PA) antecipa a estiagem com treinamento prático entre 5 e 7 de agosto, combinando proteção ao bioma, defesa de lavouras e redução de 90% nas áreas queimadas

05/08/2026 às 12:59 atualizado por Redação - SBA
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À medida que os efeitos de eventos climáticos extremos e o fantasma das intensas secas voltam a ameaçar o bioma Amazônico, produtores rurais, moradores locais e a Aliança da Terra provam que ainda há tempo para evitar que o fogo devaste a região. Diante do risco iminente na temporada de estiagem, a comunidade e o setor agropecuário de Paragominas (PA) entram na fase final de preparação preventiva para mitigar os riscos de incêndios florestais. A grande oportunidade de presenciar esse esforço na prática acontece entre os dias 5 e 7 de agosto, na Associação dos Produtores Rurais de Paragonorte, onde será realizada a formação gratuita de brigadistas comunitários. Com aulas teóricas, exercícios práticos e o Teste de Aptidão Física (TAF), o treinamento constrói a primeira linha de defesa humana do bioma antes do auge das queimadas.

A iniciativa chega amparada por resultados de grande relevância técnica e ambiental. Na última seca, o território de 314 mil hectares monitorado pela Brigada Aliança na região, registrou uma queda de 89,6% nas áreas queimadas em comparação ao ano anterior, índice significativamente superior ao desempenho do restante do município. Essa eficiência ataca diretamente um dos gargalos mais críticos da conservação na Amazônia. Segundo a Aliança da Terra, nenhum sistema de monitoramento é infalível, uma vez que satélites podem demorar algumas para enviar o alerta, enquanto uma comunidade engajada, bem estabelecida, pode identificar e notificar o fogo em minutos.

Durante a estiagem, a densa cobertura de nuvens frequentemente impede que satélites detectem focos de calor a tempo. A solução desenvolvida foi transformar quem vive no campo no principal sistema de alerta. Cerca de 75% dos acionamentos emergenciais partiram dos próprios produtores e moradores vizinhos, permitindo um tempo médio de combate de apenas 3 horas e 50 minutos, na região de Paragonorte. Essa velocidade média de combate, junto a equipe bem equipada, treinada e posicionada, fez com que nenhum incêndio alcançasse grandes proporções ou poder de destruição.

A agilidade dessa resposta tática tem se traduzido na preservação direta do patrimônio e da renda no campo. Durante a última temporada, a atuação da brigada impediu a destruição de culturas permanentes no momento exato em que as chamas avançavam sobre as propriedades. Um produtor de cacau da região relata que a intervenção imediata dos brigadistas, combatendo o fogo antes que entrasse no plantio, salvou suas lavouras e evitou prejuízos incalculáveis para a sua família. O relato reforça que a prevenção vai além dos indicadores ambientais: ela garante a subsistência de pequenos e grandes produtores e fortalece a resiliência das cadeias produtivas no Pará.

Para a diretora-geral da Aliança da Terra, Caroline Nóbrega, o modelo demonstra que a proteção ambiental e a produtividade do agronegócio caminham juntas quando há planejamento territorial e engajamento social. "O enfrentamento aos impactos do El Niño e às secas severas não se faz com reatividade, mas com aliança e presença constante no campo. Quando capacitamos o morador local e construímos uma relação de confiança com o produtor rural, transformamos a gestão do território. Provar que é possível prevenir o fogo com inteligência comunitária e resposta rápida é a demonstração prática de que o desenvolvimento econômico e a conservação da Amazônia são perfeitamente compatíveis", destaca Caroline Nóbrega.

A metodologia adotada é pautada nos pilares do Manejo Integrado do Fogo (MIF) e alinhada à Política Nacional de Manejo Integrado do Fogo (PNMIF), combinando queimas prescritas controladas, educação preventiva e monitoramento contínuo. Para expandir essa agenda e dialogar diretamente com o setor produtivo regional, a equipe também apresentará suas estratégias e tecnologias de prevenção durante a AGROPEC 2026, entre os dias 8 e 16 de agosto, em Paragominas, reafirmando que prevenir incêndios é o investimento mais seguro para resguardar vidas, lavouras e a floresta amazônica.

 

Informações: Assessoria de Imprensa