Desafios climáticos marcaram a safra de soja 2024/25 no Brasil
Geopolítica ditou os rumos do mercado em 2025
A safra 24/25 de soja no Brasil foi marcada por desafios climáticos, como o La Niña, que impactou a produção de forma significativa no Rio Grande do Sul, reduzindo a produtividade em cerca de 38%. Apesar dessas dificuldades, o Brasil consolidou-se em sua posição de líder global, com a produção de 171,5 milhões de toneladas, maior safra da história, apontou relatório realizado pela Agrifatto Consultoria.
Apesar da grande safra, no mercado doméstico o preço médio de 2025 foi 18% superior ao preço médio de 2024. O ano começou respeitando a sazonalidade, com os preços médios mais baixos em fevereiro, época de colheita, quando os preços médios em Paranaguá/PR ficaram em R$ 131,57 por saca. Porém, a geopolítica foi quem ditou os rumos do mercado, em meio ao "tarifaço" de Trump e a guerra comercial gerada entre China e EUA, o Brasil cresceu em exportações, principalmente para o gigante asiático que aumentou ainda mais sua participação em nosso mercado. Nesse cenário, os prêmios de exportação se fortaleceram e contrabalancearam as cotações em Chicago, o câmbio volátil também gerou oportunidades. Além disso, o avanço para o B15 impulsionou o esmagamento de soja, colaborando para a sustentação de preços.
Na CBOT, apesar da projeção de safra menor, confirmada com a finalização da colheita, o cenário foi de lateralização e margens apertadas para os produtores estadunidenses. Entre janeiro e meados de outubro as cotações variaram em uma banda de US$1,00/bu, de US$9,80 a US$10,80, sem folego para recuperações em meio a incerteza relacionada as compras chinesas. A cada fala de Trump e Xi o mercado se movimentava, mas, sem forças para romper esses patamares. Com o acordo desenhado no final de setembro e com a volta da China as compras, políticas, as cotações romperam a barreira dos US$11,00/bu, chegando a US$11,57/bu em novembro.
Perspectivas
Para 2026, apesar do plantio atrasado, as perspectivas para a safra de soja 2025/26 no Brasil seguem regulares, com impactos climáticos pontuais e regionais. De acordo com a Conab, a produção pode alcançar 177,12 milhões de toneladas. A depender do clima, que segue no radar.
Caso o potencial produtivo se confirme, teremos um estoque final maior na safra 25/26, o que tende a dificultar recuperações de preço expressivas. Vale lembrar que, se não houver outro estresse geopolítico, não teremos uma demanda adicional da China, como tivemos em 2025. Além disso, o custo de carrego de estoques, com o nível de juros atual, é alto e pode inviabilizar a estocagem por períodos mais longos sem a perspectiva de alta mais pronunciada. A volatilidade cambial será um ponto de atenção, devido a corrida eleitoral no Brasil em 2026.
Informações: Agrifatto Consultoria



