Diesel B deve atingir 70,8 milhões de m³ em 2026; biodiesel pode superar 10,7 milhões, aponta StoneX

Revisão para cima está diretamente ligada à safra maior de soja e ao aumento do fluxo de veículos pesados no país, com importações de diesel A podendo chegar a 17,8 milhões de m³

19/02/2026 às 15:23 atualizado por Redação - SBA
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A StoneX, empresa global de serviços financeiros, revisou para cima sua estimativa de demanda de diesel B no Brasil para 2026. A nova projeção aponta para um consumo de 70,8 milhões de m³, alta de 1,9% sobre 2025 e acima dos 70,4 milhões de m³ estimados anteriormente.

Segundo o especialista de Inteligência de Mercado, Bruno Cordeiro, a revisão está diretamente ligada ao aumento das projeções agrícolas. “A elevação das estimativas de safra, especialmente de soja, sustenta um maior fluxo de transporte de grãos no país e, consequentemente, um consumo mais elevado de diesel B em 2026”, realça.

Regionalmente, o maior avanço deve ocorrer no Sul, com recuperação das safras de soja e milho, e no Sudeste, impulsionado por exportações aquecidas dos setores agrícola, industrial e extrativista. Já o Centro-Oeste deve registrar crescimento mais moderado, diante da expectativa de menor produção de soja em alguns estados.

Importações de Diesel A seguem elevadas em 2026

A consultoria também traçou dois cenários para o diesel A em 2026, considerando a manutenção do B15 ao longo do ano (cenário base) ou a adoção do B16 a partir de julho (cenário alternativo).

Em ambos os cenários, é esperado um leve aumento da produção, com a suspensão da oferta pela refinaria de Manguinhos sendo contrabalanceada pelo avanço produtivo de refinarias da Petrobras, que trabalham com um calendário que contempla um menor número de paradas programadas na operação para 2026.

No cenário base, a demanda por diesel A deve atingir 60,4 milhões de m³ (+1%), exigindo 17,8 milhões de m³ de importações — o maior volume da série histórica.

No cenário com B16 no segundo semestre, a demanda pelo óleo diesel fóssil ficaria em 59,9 milhões de m³, com importações ao redor de 17,3 milhões de m³.

“A depender da evolução do mandato de biodiesel ao longo do ano, podemos observar diferenças relevantes na demanda por diesel A e no volume a ser importado”, explica Cordeiro.

Mesmo com leve avanço da produção nacional, as importações devem ter uma participação elevada na oferta nacional em 2026, entre 29,0% a 29,3%.

Biodiesel pode superar 10,7 milhões de m³ em 2026

Para o biodiesel, a StoneX projeta crescimento sustentado pela maior demanda por diesel B e pela possibilidade de avanço na mistura obrigatória.

No cenário de manutenção do B15, o consumo pode alcançar 10,4 milhões de m³ (+7,1%), novo recorde da série. Caso o B16 seja adotado a partir de julho, a demanda pode superar 10,7 milhões de m³ (+10,8%), exigindo até 8,6 milhões de toneladas de óleo de soja.

Conforme compartilha a analista de Inteligência de Mercado, Isabela Garcia, o desempenho dependerá das definições do CNPE. “Trabalhamos com diferentes cenários porque ainda há incertezas sobre o cronograma de elevação da mistura”, destaca.

Diante desse cenário, para Isabela, o impacto sobre o complexo soja é relevante. “Uma eventual elevação da mistura amplia de forma significativa a necessidade de óleo de soja no mercado doméstico, reforçando o papel do biodiesel como vetor estrutural de demanda”, ressalta.

2025: diesel B cresce 3% e biodiesel avança 7,4%

Em 2025, as vendas de diesel B totalizaram 69,4 milhões de m³, alta de 3%, segundo dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). O volume ficou ligeiramente acima da estimativa da StoneX. “As boas safras e o crescimento da atividade industrial ampliaram o fluxo de veículos pesados, impulsionando o consumo”, destaca Cordeiro.

No biodiesel, o consumo somou 9,7 milhões de m³ em 2025, avanço de 7,4% no comparativo com 2024. No quarto trimestre, as vendas cresceram 9,7%, com destaque para dezembro.

O uso de óleo de soja superou 6,8 milhões de toneladas (+9,3%), enquanto o share médio da matéria-prima subiu para 73,4% no ano. “O crescimento da demanda por diesel B e a elevação da mistura para 15% a partir de agosto foram determinantes para o avanço do consumo”, conclui Isabela Garcia.

 

Informações: StoneX