Embrapa lança nova cultivar de uva branca sem sementes para produtores do Sul do Brasil
Nova cultivar alia alta produtividade, com potencial de até 30 toneladas por hectare, à facilidade de manejo com a técnica de cobertura plástica, também chamada de cultivo protegido
A Embrapa apresenta ao setor produtivo da Região Sul a BRS Pérola, nova cultivar de uva branca sem sementes, que alia alta produtividade à facilidade de manejo. Avaliações realizadas na Serra Gaúcha e em Santa Catarina, em parceria com a Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri), indicam potencial produtivo de até 30 toneladas por hectare com o uso de cobertura plástica, técnica também conhecida como cultivo protegido. A novidade amplia as alternativas para consumo in natura na Região, ao lado das cultivares BRS Vitória, BRS Isis e BRS Melodia.
O pesquisador da Embrapa Uva e Vinho (RS) João Maia explica que na Região Sul existe um espaço importante de produção de uvas de mesa do tipo fino, tanto para o comércio nas propriedades como em pequenos estabelecimentos. Soma-se a isso a demanda por uma cultivar branca sem sementes que possa substituir parcialmente a tradicional Itália, com sementes. “O aumento do turismo rural e do enoturismo vem estimulando os investimentos no plantio de uvas de mesa para venda na propriedade, no sistema “colha e pague”. Consegue-se, assim, ampliar os lucros com a venda direta aos consumidores”, comenta.
LançamentoA cultivar BRS Pérola será lançada em 19 de fevereiro, durante dia de campo na propriedade do produtor Jair Freiberger, em Alto Feliz, RS, e também durante a tradicional Festa da Uva, realizada no município de Caxias do Sul, RS.
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Maia complementa que os produtores buscam ter um portfólio diversificado de uvas para atender os consumidores, mas que também ficam atentos a algumas características das cultivares, como produtividade e facilidade no manejo. As bagas da BRS Pérola são semelhantes às da tradicional Thompson Seedless, referência no mercado de uva branca sem sementes produzidas no Vale do São Francisco. Suas características de destaque incluem a forma alongada, a textura crocante e firme, e o sabor neutro com equilíbrio entre açúcares e acidez.
A pesquisadora Patrícia Ritschel, uma das coordenadoras do programa Uvas do Brasil, destaca como um dos principais atrativos da BRS Pérola é que os cachos são mais soltos (baixa compacidade), o que facilita a realização do raleio e reduz a demanda por mão de obra. “As plantas apresentam boa fertilidade de gemas em varas médias e isso permite alcançar produtividades entre 25 a 30 toneladas de uvas por hectare, com o emprego da poda mista”, pontua.
Em seu terceiro ano de produção da BRS Pérola, o viticultor Jair Freiberger (foto à direita), que foi um dos validadores da nova cultivar, está muito satisfeito e aposta que a nova uva será um grande sucesso entre os consumidores. “Ela é uma opção muito interessante e que traz três grandes diferenciais que tenho certeza que vão fazer sucesso. A baga mais alongada, a coloração amarelo vivo e a crocância conquistarão os clientes”, avalia. Atualmente, seu parreiral de quase um hectare, no município de Alto Feliz, RS, é composto de diferentes uvas que atraem os consumidores no sistema de “colha e pague”. Ele acredita que os consumidores jovens trocarão a tradicional uva Itália pela BRS Pérola por ela não ter sementes.
Para o chefe-geral da Embrapa Uva e Vinho, Adeliano Cargnin, o lançamento é mais uma entrega que reforça o compromisso da Embrapa com a geração de soluções tecnológicas com impacto direto no campo. “A BRS Pérola será uma alternativa para a Serra Gaúcha, capaz de agregar valor à produção, fortalecer a viticultura de mesa e reafirmar o papel da ciência pública como instrumento de desenvolvimento, inovação e sustentabilidade para a agricultura brasileira”, avalia.
Fotos: Viviane Zanella (pesquisadora Patrícia Ritschel) e Arquivo pessoal (viticultor Jair Freiberger)
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Foto: Viviane Zanella A BRS PérolaResultado de cruzamento genético realizado em 2004, a BRS Pérola passou por uma série de testes e validações que permitiram definir um sistema de produção para a região Sul do Brasil. A cultivar não é recomendada para a região do Semiárido Brasileiro. Na região da Serra Gaúcha, as bagas da cultivar apresentam tamanho grande, de cerca de 18 milímetros (mm) de diâmetro, após aplicação de ácido giberélico (hormônio vegetal que estimula o crescimento e o desenvolvimento das plantas), com forma elipsoide estreita e comprida, de cor branca, película de espessura média, polpa incolor, textura moderadamente firme, sabor neutro, com traços rudimentares de semente de tamanho minúsculo. A duração do ciclo desde o início da brotação até o final da maturação, sob cobertura plástica, foi de 170 dias, com colheita em fevereiro. Portanto, a cultivar BRS Pérola se caracteriza como uma cultivar de ciclo médio na Região Sul do País. Foto: Patrícia Ritschel
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Mais uma alternativa de uva de mesa para os viticultoresA Embrapa desenvolve um conjunto de cultivares de uvas de mesa sem sementes adaptadas ao cultivo protegido. Conheça as opções: BRS Isis: A BRS Isis é uma cultivar de uva sem sementes, de cor vermelha e sabor neutro e agradável. Ela é tardia, o que contribui para aumentar o período de colheita. Destaque para o fato de não exigir a aplicação de ácido giberélico quando é produzida no Sul do país. A BRS Isis é bastante vigorosa e a alta fertilidade das gemas permite obter produtividade de 25 a 30 toneladas por hectare/ano. BRS Melodia (foto à direita): A BRS Melodia se destaca pela sua cor rosada e sabor tutti-frutti e frutas vermelhas, que lembra o morango. É uma uva crocante e de casca fina, fácil de mastigar. A cultivar apresenta alta tolerância à antracnose e tolerância média ao míldio, ao oídio e às podridões de cacho. Cultivada sob cobertura plástica, seu manejo é mais simples em comparação às variedades do grupo Itália. Para obtenção de uvas com qualidade, deve-se ajustar a produtividade para 25 toneladas por hectare, usar reguladores de crescimento para aumentar o tamanho das bagas e melhorar a expressão da cor. BRS Vitória: A BRS Vitória é uma uva de mesa de coloração preta e sem sementes, com sabor framboesa, de ciclo precoce. O manejo demanda raleio de bagas e uso de ácido giberélico para assegurar o desenvolvimento das bagas. Sem a aplicação de ácido giberélico as bagas ficam menores e mais doces. A BRS Vitória é a principal uva sem sementes produzida no Brasil, que conquistou tanto o mercado interno quanto o externo. Foto: Juliana Leite |
Mudas da BRS PérolaA nova cultivar será inicialmente comercializada pelos viveiros licenciados Viecelli Viveiros (Videira - SC) e MP Mudas (Vacaria - RS), que já estão recebendo pedidos para a produção das mudas em 2026. Outros viveiristas licenciados já podem adquirir material básico dessa cultivar a partir de reservas junto à Estação Experimental de Canoinhas/SC pelo e-mail cpact.eecan@embrapa.br ou pelo telefone (47) 3627-4199. As reservas devem ser realizadas entre os meses de abril e junho e a entrega ocorrerá a partir da segunda quinzena de julho até meados de agosto. Os produtores interessados na cultivar precisam possuir jardim clonal de porta-enxertos formado a partir de material básico da Embrapa. “Para que a qualidade sanitária da cultivar seja mantida é recomendada a sua enxertia em porta-enxertos com origem sanitária reconhecida”, afirma Daniel Grohs, agrônomo da Embrapa Uva e Vinho e responsável pelo Programa de Mudas de Qualidade. Já para os viticultores, Grohs orienta que o pedido de reserva de mudas na Região Sul ocorra com um ano de antecedência, uma vez que são produzidas sob encomenda pelos viveiristas. “O plantio das videiras deve acontecer na primavera, pois são mudas do tipo “raiz nua” (fora de substrato e em estágio de dormência)”, esclarece. Ele destaca ainda a importância de os viticultores checarem a qualidade da muda, primeira garantia para assegurar boa produtividade. “Os viveiristas licenciados são capacitados para a produção de mudas dentro de um padrão de qualidade, mas o viticultor deve estar atento à muda que recebe. É importante sacrificar pelo menos uma muda, preferencialmente com o acompanhamento do viveirista, para a análise visual do padrão de qualidade”, diz. Clique aqui para conhecer o padrão de qualidade. Foto: Patrícia Ritschel |
Informações: Embrapa Uva e Vinho - Viviane Zanella (MTb 14.400/RS)









