Epagri: conflito no Irã provoca alta do diesel e pressiona mecanização em Santa Catarina
Cenário resulta em pressão sobre os custos de transporte e de produção agrícola, com impacto direto no uso de máquinas no campo
São Paulo, 20 – A intensificação do conflito no Oriente Médio com a interrupção da passagem de navios no Estreito de Ormuz gerou instabilidade no fornecimento de petróleo e fertilizantes no primeiro semestre deste ano e refletiu na mecanização agrícola em Santa Catarina, informou a Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri) em comunicado. Segundo a Epagri, o cenário resulta em pressão sobre os custos de transporte e de produção agrícola, com impacto direto no uso de máquinas no campo.
O preço médio do diesel no Estado subiu de R$ 6,14, no fim de 2025, para R$ 7,33 em março de 2026, conforme dados da Epagri/Cepa. A alta elevou a participação do combustível no custo operacional efetivo das lavouras. Culturas intensivas em mecanização, como maçã, arroz e cebola, registram maior sensibilidade ao reajuste, destacou a Epagri no comunicado.
“Nesse contexto, dois vetores concentram os impactos: a alta dos custos energéticos, com reflexos diretos no diesel, e o encarecimento dos fertilizantes nitrogenados e fosfatados”, disse o analista de Socioeconomia e Desenvolvimento Rural da Epagri/Cepa, Roberth Andres Villazon Montalvan, em nota.
Com o petróleo brent próximo de US$ 100 por barril, a projeção é de reajuste de 20% no preço do diesel no Brasil, o que elevaria o frete rodoviário em 10%, apontou a Epagri. De acordo com a entidade, no território catarinense, o transporte terrestre entre o Oeste e o Meio-Oeste e os portos responde por até 70% do custo logístico das exportações de grãos e carnes.
No mercado de fertilizantes, observa a Epagri, o índice global de preços subiu 26,2% em um mês, com a ureia registrando alta de até 46% no mercado internacional. O movimento é agravado por restrições de exportação na China e suspensão de vendas de nitrato de amônio pela Rússia, ao mesmo tempo em que o risco na navegação e os elevados prêmios de seguro dificultam o fornecimento global. “A dificuldade de absorver novos reajustes pode reduzir o uso de fertilizantes, com impactos na produtividade, o que exige mais planejamento, eficiência logística e adoção de tecnologias para preservar a competitividade”, afirmou Montalvan.
A Epagri destaca que o Porto de São Francisco do Sul, pelo qual foram importadas 2,75 milhões de toneladas de fertilizantes em 2025, mantém o ritmo de operações em 2026 para reduzir os riscos de desabastecimento regional diante das restrições no Estreito de Ormuz e no Mar Vermelho.



