Frigoríficos adotam postura cautelosa e preços da carne suína seguem despencando em março
Uma postura cautelosa foi adotada nas compras do vivo, avaliando a dinâmica do escoamento da carne, que não mostrou força

Porto Alegre, 2 de abril de 2026 – O mês de março foi extremamente negativo para os preços da suinocultura brasileira. Segundo o analista e consultor da Safras & Mercado, Allan Maia, as cotações da carne suína até ficaram estáveis na primeira quinzena do mês, mas reverteram o cenário e passaram a apresentar fragilidade diante de uma sinalização de oferta confortável frente a demanda (vivo e carne).
Além disso, Maia diz que os frigoríficos adotaram postura cautelosa nas compras do vivo, avaliando a dinâmica do escoamento da carne, que não mostrou força. “Um ponto que pesa é o preço enfraquecido da carne de frango, principal concorrente/substituto, devido a oferta elevada, afetando negativamente na relação de atratividade dos cortes suínos”, disse.
A possibilidade de avanço da inflação devido as tensões globais e avanço do preço de combustível também pode pesar na decisão de escolha das famílias no médio prazo, explicou Maia. “A exportação segue desempenhando bem, o que favorece o enxugamento da disponibilidade doméstica, mas não sendo suficiente no momento para dar sustentação ao mercado”, conclui.
Preços
Levantamento de Safras & Mercado apontou que o mercado de suíno vivo no Brasil registrou queda nos preços em novembro nas principais praças do país. A média de preços do Centro-Sul caiu 2,73%, passando de R$ 6,60 para R$ 6,42 por quilo.
A carcaça teve desvalorização de 3,02%, passando de R$ 10,15 para R$ 9,84. A média de preços pagos pelos cortes de pernil no atacado recuou 1,25%, passando de R$ 12,01 para R$ 11,86.
A análise mensal de preços de Safras & Mercado apontou que a arroba suína em São Paulo foi de R$ 131,00 para R$ 126,00. Na integração do Rio Grande do Sul, o quilo vivo caiu de R$ 6,45 para R$ 6,20 e no interior do estado de R$ 6,90 para R$ 6,55.
Em Santa Catarina, o preço do quilo na integração recuou de R$ 6,45 para R$ 6,20 e no interior catarinense de R$ 6,65 para R$ 6,45. No Paraná, o preço do quilo vivo registrou baixa de R$ 6,75 para R$ 6,60 no mercado livre e, na integração, de R$ 6,50 para R$ 6,30.
No Mato Grosso do Sul, a cotação em Campo Grande teve desvalorização de R$ 6,50 para R$ 6,25 e, na integração, de R$ 6,30 para R$ 6,20. Em Goiânia, os preços recuaram de R$ 6,50 para R$ 6,30. No interior de Minas Gerais, os preços tiveram baixa de R$ 6,60 para R$ 6,50 e, no mercado independente, seguiram em R$ 6,80. Em Mato Grosso, o preço do quilo vivo em Rondonópolis caiu de R$ 6,50 para R$ 6,30 e, na integração do estado, de R$ 6,20 para R$ 6,15.
Exportações
As exportações de carne suína “in natura” do Brasil renderam US$ 224,939 milhões em março (15 dias úteis), com média diária de US$ 14,996 milhões. A quantidade total exportada pelo país no período chegou a 89,282 mil toneladas, com média diária de 5,952 mil toneladas. O preço médio ficou em US$ 2.519,4.
Em relação a março de 2025, houve avanço de 10,5% no valor médio diário, alta de 10,2% na quantidade média diária e evolução de 0,3% no preço médio. Os dados são da Secretaria de Comércio Exterior (Secex).
Informações: Safras & Mercado



