Imea prevê queda de 5,19% na produção de soja no MT em 2026/27

O principal fator de risco é o clima

07/05/2026 às 09:00 atualizado por Gabriel Azevedo - Estadão
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São Paulo, 7 – O Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) projetou queda de 5,19% na produção de soja de Mato Grosso (MT) na safra 2026/27, para 48,88 milhões de toneladas, em um cenário marcado pelo risco de El Niño no início do ciclo e pelo avanço dos custos de produção. A estimativa de produtividade recuou 5,43%, para 62,44 sacas por hectare. Os dados constam do primeiro boletim do instituto para a próxima safra, divulgado nesta semana.

O principal fator de risco é o clima. O Instituto Nacional Oceânico e Atmosférico dos Estados Unidos (NOAA, na sigla em inglês) aponta 80% de chance de El Niño ativo no primeiro trimestre de desenvolvimento da soja, justamente na fase de plantio e estabelecimento inicial das lavouras. O fenômeno tende a reduzir as chuvas no Centro-Oeste e aumentar a precipitação no Sul do país. Para Mato Grosso, que responde por cerca de 30% da produção nacional, isso significa maior risco de irregularidade hídrica em um momento decisivo para a cultura.

“O que mais chama atenção neste primeiro levantamento é justamente o fator climático. Com uma probabilidade elevada de El Niño, a tendência é de maior irregularidade das chuvas no início do ciclo, o que pode impactar diretamente o potencial produtivo das lavouras”, afirmou o coordenador de Inteligência de Mercado do Imea, Rodrigo Silva, em nota. Segundo ele, as projeções já incorporam esse risco em um cenário “conservador”. “Movimento diretamente influenciado pelo risco climático associado ao El Niño”, destacou.

O custo de produção é o segundo vetor de pressão. A alta dos fertilizantes, em especial dos fosfatados, cujos principais fornecedores enfrentam problemas de produção e logística, e o encarecimento do diesel devem apertar as margens dos produtores e levar a ajustes no pacote tecnológico adotado nas lavouras. Com crédito mais restrito e juros elevados, a área plantada deve crescer de forma mais limitada, chegando a 13,04 milhões de hectares, alta de apenas 0,25% ante a safra atual.

Apesar da retração projetada, o volume previsto segue em patamar historicamente elevado, o que reforça a relevância de Mato Grosso na oferta nacional da oleaginosa. O Imea ressalvou que o El Niño ainda não está configurado no estado e que o comportamento climático ao longo do segundo semestre será determinante para o desempenho real da safra.