Indústrias de alimentos enfrentam pressão de custos com novo ciclo de volatilidade no açúcar e no cacau

Oscilações de mercado pelo balanço de oferta e demanda de cada commodity, ambiente macroeconômico e mudanças no mix produtivo criam um ambiente mais desafiador para fabricantes de alimentos

17/03/2026 às 09:15 atualizado por Redação - SBA
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Os mercados de açúcar e cacau entraram em um novo ciclo de volatilidade que demanda atenção redobrada das indústrias de alimentos, alerta a consultoria StoneX. Durante palestra realizada no 19º Congresso Internacional Abimapi, os consultores em gerenciamento de riscos Ricardo Nogueira e Rafael Crestana destacaram que as duas cadeias operam sob forte pressão de fatores climáticos, macroeconômicos e estruturais, combinação que vem elevando os custos e reduzindo a previsibilidade para fabricantes de bebidas, confeitaria, lácteos, panificação e chocolates.

No caso do açúcar, o Brasil vive uma dinâmica que intensifica a incerteza. Para as safras 2025/26 e 2026/27, projeta-se um maior direcionamento das usinas para o etanol, impulsionado pela menor remuneração do açúcar no curto prazo e pela competitividade do hidratado no início da nova temporada. Mesmo com aumento da área colhida e moagem elevada, que deve chegar a 620,5 milhões de toneladas em 2026/27, a produtividade limitada (TCH em torno de 75,9 t/ha) e o mix mais alcooleiro devem resultar em queda da produção açucareira – estimada em 0,48 milhão de toneladas. Esse movimento reduz a oferta disponível para a indústria justamente em um período em que a recuperação da produtividade ainda é lenta, aumentando o risco de repiques de preço e necessidade de planejamento antecipado de compras.

Para o cacau, o panorama não é menos desafiador. A commodity buscou forte suporte e voltou a subir com o cenário macroeconômico de maior incerteza, impulsionada também pela valorização do petróleo, pelo encarecimento dos fretes e seguros marítimos, agravados pelas tensões no Oriente Médio. Essa combinação mantém o mercado sustentado e impõe pressão direta a indústrias que dependem de cacau e derivados, como chocolates e biscoitos. Soma-se a isso a recuperação ainda lenta da demanda que agora também é afetada pela alta do custo da energia, que comprime margens em mercados como Europa e pode, se persistente, desacelerar o consumo global de produtos à base de cacau, afetando volumes e repasses ao consumidor.

Nesse ambiente, a StoneX reforça que a volatilidade deixou de ser exceção e passou a representar a nova regra do jogo, tornando essencial a adoção de políticas estruturadas de compras e proteção de preços.

“A volatilidade impacta as margens de forma imediata. Sem uma estratégia integrada de análise, planejamento e execução do hedge, a indústria fica exposta a oscilações que comprometem competitividade e orçamento”, afirmam.

Com base em sua atuação global e na experiência acumulada em mais de um século, o grupo oferece o IRMP®: Programa Integrado de Gestão de Riscos, que combina dados proprietários, projeções de mercado e monitoramento contínuo para transformar volatilidade em decisões mais assertivas.

Em um cenário de custos elevados e incertezas persistentes, a capacidade de antecipar movimentos – seja em momentos de queda, para travar oportunidades de compra, ou de alta, para ajustar políticas – torna-se determinante para preservar margens e manter a competitividade no setor de alimentos.

 

Informações: StoneX