México: Impacto no Brasil sobre a limite de importação de carne bovina com taxa zero
Em 2025, a proteína foi o segundo maior produto exportado ao país
O governo do México publicou na segunda-feira (5/1/26) duas resoluções que limitam a quantidade de importação de carnes bovina e suína sem imposto. Até então, empresas mexicanas tinham direito a tarifa zero para compra desses alimentos do exterior independente de quantidade. Em 2025, a carne bovina foi o segundo maior produto exportado pelo Brasil ao México, enquanto a carne de porco foi o décimo, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic).
No México, a isenção de imposto de importação para carne bovina e suína estava prevista no Pacote contra a Inflação e a Carestia (Pacic), uma iniciativa do governo criada em 2022 para combater o aumento dos preços dos alimentos.
Com a mudança, os mexicanos vão poder importar 70 mil toneladas de carne bovina sem pagar tarifa, mas o que exceder esse volume será taxado em 20%. No caso da carne suína, a cota livre de imposto será de 51 mil toneladas, enquanto o excedente pagará uma taxa de 16%.
A Acrissul, Associação dos Criadores de Mato Grosso do Sul, emitiu nota manifestando preocupação com a crescente sucessão de medidas adotadas por importantes mercados internacionais que vêm impondo restrições às importações de carne bovina e suína brasileira. Veja.
Nos últimos meses, observamos movimentos sucessivos por parte dos Estados Unidos, do Japão e, agora, do México, que passaram a adotar cotas, tarifas adicionais ou outros mecanismos de limitação ao ingresso de proteína animal estrangeira. Embora cada medida tenha justificativas específicas, o conjunto dessas decisões revela uma tendência clara de fechamento de mercados e proteção das produções nacionais.
A recente decisão do governo mexicano de estabelecer cotas com tributação sobre volumes excedentes reforça esse sinal de alerta. Trata-se de uma medida que afeta diretamente países exportadores competitivos, como o Brasil, e que não pode ser tratada como um episódio isolado.
Diante desse cenário, a Acrissul entende que não é mais possível assistir passivamente à adoção reiterada de barreiras comerciais sem uma resposta institucional clara do Estado brasileiro. É fundamental que o governo federal se posicione de forma firme, tanto no campo diplomático quanto no comercial, defendendo os interesses da produção nacional.
A entidade defende que o Brasil avance na discussão de políticas de reciprocidade comercial, bem como no fortalecimento de acordos bilaterais e multilaterais que assegurem previsibilidade e equilíbrio nas relações comerciais.
Informações: Assessoria Acrissul



