Outono e inverno podem ser mais úmidos no Sul, secos no Norte e quentes no Centro-Sul, prevê Ampere Consultoria

Impactos do El Niño na estação fria de 2026

20/03/2026 às 14:25 atualizado por Redação - SBA
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Após uma estação chuvosa deficitária em grande parte do Brasil e marcada por uma La Niña fraca, o panorama climático para os próximos meses inclui condições anormalmente úmidas no Sul do país e uma frequência relativamente baixa de ondas de frio. Esses fatores ampliam o risco de eventos climáticos extremos, como chuva intensa no Sul e veranicos no Centro-Sul.

Desde o inverno de 2025, a Ampere vem indicando a possibilidade de desenvolvimento de um evento de El Niño em 2026 e, até o momento, os prognósticos vêm corroborando essa sinalização”, completa o meteorologista sênior da Ampere Consultoria, Bruno César Capucin.

 Atualmente, as anomalias de Temperatura da Superfície do Mar (TSM) já são positivas na costa oeste da América do Sul e na região Niño 1+2. As previsões dinâmicas e probabilísticas indicam que esse aquecimento deve se expandir pelo Pacífico Equatorial nos próximos meses, alcançando limiares de El Niño a partir de maio, segundo o modelo ECMWF.

 

Impactos do El Niño na estação fria de 2026

Em abril, a influência dessa condição no Oceano Pacífico ainda deve ser limitada. Já o trimestre MAI|JUN|JUL, que abrange parte do outono e do inverno, pode começar a refletir seus efeitos, a depender da velocidade de intensificação do El Niño. Isso inclui chuvas acima da climatologia na Região Sul e no setor sul do Sudeste e do Centro-Oeste, além de condições mais secas no extremo norte do país.

Em relação às temperaturas, o histórico aponta para padrões anomalamente quentes, sobretudo na Argentina, mas com reflexos também sobre parte do Centro-Sul do Brasil. Isso se deve a uma maior frequência de ventos do quadrante norte pelo interior da América do Sul no período, fator correlacionado com uma menor ocorrência de ondas de frio.

Os padrões de grande escala que ajudam a explicar esse comportamento climático incluem um aumento das chuvas tropicais no Pacífico Equatorial associado ao El Niño, que contribui para o fortalecimento do Jato Subtropical em direção à América do Sul. Como desdobramento dessa configuração, há maior favorecimento à manutenção da Baixa do Noroeste Argentino (BNOA), que, uma vez estabelecida, induz o fortalecimento do fluxo de norte. Além disso, uma Alta Subtropical do Atlântico mais intensa, em média, tende a favorecer a atuação de frentes mais estacionárias entre a Argentina, o Uruguai e o Sul do Brasil, elevando o potencial para episódios de chuva e tempestades severas nessas áreas.

Portanto, o panorama climático que se desenha para a estação fria de 2026 inclui condições anomalamente úmidas no Sul do Brasil e uma menor frequência de ondas de frio. Em conjunto, esses fatores ampliam o risco de eventos climáticos extremos ao longo do trimestre, incluindo episódios de chuva intensa no Sul e períodos de calor acima da média no Centro-Sul, caracterizando veranicos.

Além disso, embora a perspectiva seja de um El Niño de intensidade fraca a moderada no período, não se descarta sua evolução para um evento forte em médio prazo, especialmente ao longo da primavera, período que normalmente representa o pico do fenômeno.

 

Informações: Assessoria Ampere Consultoria