Produção brasileira de amendoim deve ter queda de 1,9% na safra 2025/26

Safra nacional é concentrada nos estados de São Paulo (79,4%) e Mato Grosso do Sul (15%)

03/02/2026 às 10:14 atualizado por Redação - SBA
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A produção mundial de amendoim foi de 52,2 milhões de toneladas em 2025, segundo análise da Scot Consultoria. Os principais produtores foram China, com participação de 36,4%, Índia com 14,4%, Nigéria com 10,0% e Estados Unidos com 6,2%. O Brasil ocupa a sétima posição, com 2,2% de participação (USDA, 2026).

A produção brasileira na safra 2024/25 foi de 1,2 milhão de toneladas. A estimativa para a safra 2025/26 é de 1,1 milhão de toneladas, uma redução de 1,9%. Esse declínio deve-se a uma queda de 2,3% na produtividade, que caiu de 4,1 toneladas por hectare para 4,0 toneladas por hectare. A área semeada aumentou de 0,5%.

Com relação às exportações, a fatia de mercado da Índia é de 23,9%, a da Argentina 22,9%, a dos Estados Unidos 12,7%, a do Brasil 10,4% e a da China 10,0%, somando 79,9% do volume comercializado no mundo (USDA,2026).

O Brasil em 2025 exportou, considerando apenas grãos, 311,5 mil toneladas, um recorde, com aumento de 37,3% na comparação com 2024 quando foram exportadas 226,8 mil toneladas. O faturamento cresceu 1,9% com U$$ 367,0 milhões, contra U$$360,0 milhões em 2024.

Figura 1.
Exportação de amendoim em grãos, volume em mil toneladas e faturamento em milhões de dólares.


Fonte: COMEX / Elaborado por Scot Consultoria

Os principais países compradores são:

Figura 2.
Principais importadores em volume, em 2025.


Fonte: COMEX / Elaborado pela Scot Consultoria

Comparativo entre farelos

Comparando o farelo de amendoim com o farelo de soja, observa-se uma diferença no preço por tonelada. O farelo de amendoim foi cotado em R$1.280,00/t, preço 17,2% menor que o do farelo de soja, cujo preço é R$1.545,00/t. 

Figura 3.
Comparação entre a cotação por tonelada do farelo de amendoim e a do farelo de soja, entre as quinzenas de dezembro de 2025 a janeiro de 2026.


Fonte: Scot Consultoria

Sob a perspectiva nutricional, o farelo de amendoim apresenta uma disponibilidade média de proteína bruta de 56%, enquanto o farelo de soja 48% com valor semelhante de energia metabolizável, cuja média é de 3.500 kcal/kg (CQBOL 4).

Essa combinação de fatores resulta em um preço por quilo de proteína bruta de R$ 2,29 para o farelo de amendoim, contra R$3,22 para o farelo de soja, uma diferença de 29,0%. De forma análoga, para se obter 3.500 kcal, o preço é menor para o farelo de amendoim, com uma vantagem de 14,3%.

Contudo, a adoção do farelo de amendoim em escala é limitada por fatores estruturais de oferta. A produção nacional, concentrada nos estados de São Paulo (79,4%) e Mato Grosso do Sul (15,0%). Caso toda a produção de amendoim de 2025 fosse processada - levando em consideração o rendimento médio de 70% pelo procedimento de trituração a frio (Zhao et al., 2012). Resultaria em 811,8 mil toneladas de farelo de amendoim, volume que representa apenas 1,8% da produção de farelo de soja no mesmo ano.

Essa escala de produção reduzida e a concentração geográfica restringem o escoamento e a disponibilidade permanente do produto em diferentes regiões, criando uma barreira para a incorporação regular nas dietas. Portanto, a vantagem de custo e o perfil nutricional não se traduzem em uma participação maior de mercado, que permanece condicionada pela capacidade limitada de distribuição.

 

Informações: Scot Consultoria