Projeto Corredores Arborizados amplia iniciativas em cafeicultura regenerativa da Expocacer

Objetivo é restaurar funções ecológicas da propriedade, aumentar a resiliência dos sistemas produtivos, preparar a cafeicultura aos desafios climáticos futuros e abrir oportunidade de renda aos produtores com a geração de créditos de carbono

13/08/2026 às 11:20 atualizado por Redação - SBA
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Ir além de um programa de carbono. Esse é o objetivo da Cooperativa dos Cafeicultores do Cerrado (Expocacer) com o Projeto Corredores Arborizados, que realiza em parceria com a GrowGrounds e a Clima Café de Floresta visando tornar a cafeicultura mais resiliente às mudanças climáticas através da implantação planejada de corredores de árvores nas lavouras de café.

“Trata-se de uma estratégia de agricultura regenerativa que busca restaurar funções ecológicas da propriedade, aumentar a resiliência dos sistemas produtivos e preparar a cafeicultura para os desafios climáticos das próximas décadas”, explica Farlla Gomes, gerente Técnica e de Sustentabilidade da Expocacer.

A proposta é integrar árvores ao sistema produtivo de forma estratégica, criando corredores que favoreçam a formação de um microclima mais equilibrado, melhorem as condições do solo, aumentem a biodiversidade e contribuam para a sustentabilidade da produção.

De acordo com Farlla, todo o planejamento é realizado para que a mecanização da lavoura seja mantida, preservando a eficiência operacional e a produtividade do cafeeiro, além de proporcionar um melhor cenário financeiro aos produtores.

“Mais do que gerar benefícios agronômicos, o projeto está inserido em um programa de geração de créditos de carbono. À medida que as árvores se desenvolvem, elas capturam dióxido de carbono (CO₂) da atmosfera. Esse carbono é monitorado, quantificado e certificado por uma metodologia reconhecida internacionalmente, permitindo sua comercialização no mercado voluntário de carbono, o que cria nova oportunidade de renda aos produtores participantes”, menciona.

 

COMO PARTICIPAR
A participação no projeto é voluntária e começa com a manifestação de interesse do produtor. A partir daí, a equipe técnica da Expocacer, em conjunto com os parceiros do projeto, realiza um diagnóstico da propriedade para avaliar sua aptidão e identificar as melhores áreas para implantação dos corredores arborizados.

Cada fazenda recebe um projeto personalizado, elaborado de acordo com suas características, considerando fatores como relevo, sistema de produção, mecanização, espaçamento entre as linhas de café, áreas mais suscetíveis aos impactos climáticos, espécies arbóreas mais adequadas e objetivos do produtor.

Os corredores são implantados em linhas estratégicas, normalmente com espaçamento entre 20 e 40 metros, permitindo que todas as operações mecanizadas continuem sendo realizadas normalmente.

“O sistema é especialmente indicado para áreas em renovação de lavoura, recepa ou implantação de novos cafezais, possibilitando que as árvores sejam incorporadas ao planejamento da propriedade desde o início”, informa Farlla.

Projeto é indicado para áreas em renovação das lavouras (foto: divulgação Expocacer)
 

Ela diz que, após a implantação, o produtor recebe acompanhamento técnico contínuo para garantir o desenvolvimento adequado das árvores e da lavoura e, paralelamente, é realizado o monitoramento do carbono capturado, seguindo protocolos internacionais que asseguram a credibilidade do processo de certificação.

“No modelo atual, o projeto contempla o planejamento técnico, a implantação, as mudas, a assistência técnica, o monitoramento e a certificação, sem custo inicial direto para o produtor. Em contrapartida, o cooperado assume o compromisso de manter as árvores e seguir o plano de manejo estabelecido durante o período do projeto”, completa.

 

POR QUE ARBORIZAR?
A produção de café tem enfrentado desafios climáticos cada vez maiores, como geadas, secas prolongadas, ondas de calor, ventos intensos, granizo e chuvas irregulares, fatores que comprometem a produtividade, elevam os custos de produção e aumentam a vulnerabilidade das propriedades rurais.

Nesse contexto, a gerente Técnica e de Sustentabilidade da Expocacer salienta que a implantação planejada de árvores contribui para criar um ambiente mais favorável ao desenvolvimento do cafeeiro, reduzindo os impactos dos eventos climáticos extremos e tornando o sistema produtivo mais equilibrado.

“Além da formação de um microclima mais estável, os corredores arborizados promovem melhorias na estrutura e na fertilidade do solo, aumentam a infiltração e retenção de água no solo, reduzem processos erosivos, favorecem a ciclagem de nutrientes e ampliam a biodiversidade da propriedade, estimulando também o controle biológico natural de pragas”, pontua.

 

MAIS RENDA
Farlla reforça que outro importante objetivo do projeto é diversificar a receita do produtor. Por meio da certificação e da comercialização dos créditos de carbono gerados pelas árvores, o cooperado passa a contar com uma nova fonte de renda, agregando valor à propriedade sem substituir sua principal atividade, que continua sendo a produção de café.

“Dessa forma, o Projeto Corredores Arborizados reúne benefícios ambientais, agronômicos, econômicos e sociais, fortalecendo a competitividade da cafeicultura dos cooperados da Expocacer e contribuindo para uma produção mais sustentável e preparada para o futuro”, conclui.

 

O INÍCIO
O Projeto Corredores Arborizados nasceu da estratégia da Expocacer de ampliar suas ações em agricultura regenerativa e desenvolver soluções práticas para enfrentar os desafios impostos pelas mudanças climáticas à cafeicultura.

Ao longo dos últimos anos, a cooperativa vem investindo em iniciativas voltadas à sustentabilidade, à redução das emissões de carbono e ao fortalecimento da resiliência das propriedades rurais.

Dentro dessa visão, foi identificada a oportunidade de unir sistemas agroflorestais, adaptação climática e geração de créditos de carbono em um único projeto, estruturando uma parceria com a GrowGrounds e a Clima Café de Floresta.

Farlla conta que o projeto piloto ocorreu na Fazenda Barinas, em Araxá (MG), na Região do Cerrado Mineiro, do cooperado Marcio Borges Castro Alves, uma propriedade que possuía áreas historicamente afetadas por geadas severas, tornando-se um ambiente ideal para validar a metodologia e demonstrar os benefícios da integração planejada de árvores à lavoura de café.

“A implantação começou em 2025 e os primeiros resultados já demonstram avanços na formação de um microclima mais favorável, com recuperação de áreas vulneráveis e o fortalecimento da resiliência da lavoura”, celebra a gerente Técnica e de Sustentabilidade da Expocacer.

Com a Fazenda Barinas sendo o ponto de partida do projeto, atualmente é possível observar a unidade demonstrativa para avaliação técnica e aperfeiçoamento da metodologia.

A expectativa é ampliar gradativamente a ação para outras propriedades cooperadas, formando uma rede de fazendas regenerativas capazes de produzir café com maior resiliência climática, conservação ambiental e geração de valor para os produtores.

“Com essa iniciativa, a Expocacer reforça seu compromisso de liderar a transição para uma cafeicultura cada vez mais regenerativa, preparada para os desafios do futuro e alinhada às demandas dos mercados internacionais por sustentabilidade, rastreabilidade e impacto positivo”, conclui Farlla.

 

Informações: Assessoria Expocacer