Umidade do solo em Mato Grosso segue abaixo da média histórica e preocupa para o avanço do plantio da soja, aponta EarthDaily

Enquanto Goiás e Mato Grosso do Sul apresentam condições favoráveis à safra de verão, excesso de chuvas no Sul aumenta os riscos para o trigo

16/10/2026 às 17:11 atualizado por Redação - SBA
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Apesar das chuvas registradas nas últimas semanas, a umidade do solo permanece abaixo da média histórica em grande parte de Mato Grosso, mantendo a atenção sobre o avanço do plantio da soja na safra 2026/27. De acordo com análises da EarthDaily, empresa especializada em monitoramento agrícola por satélite, a recuperação hídrica ocorre de maneira desigual no Centro-Oeste, com condições mais favoráveis em Goiás e Mato Grosso do Sul.

Nos últimos dez dias, os maiores volumes de precipitação se concentraram no Sul do Brasil, especialmente no Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, com acumulados superiores a 70 milímetros em algumas localidades. As chuvas também ficaram acima da média histórica em áreas do Centro-Oeste, contribuindo para a recuperação da umidade do solo e o estabelecimento inicial das lavouras de soja e milho. No entanto, a distribuição irregular das precipitações ainda limita a recuperação em importantes regiões produtoras.

“Em Mato Grosso, principal estado produtor de soja do país, os níveis atuais de umidade do solo permanecem inferiores à média histórica, embora apresentem melhora em relação às semanas anteriores. A previsão do modelo meteorológico europeu (ECMWF) para 22 de outubro indica pouca recuperação adicional, com persistência do déficit hídrico em grande parte das áreas agrícolas. Além disso, os modelos ECMWF e GFS projetam chuvas abaixo da média para os próximos dez dias, cenário que pode restringir o ritmo de plantio e o desenvolvimento inicial das lavouras”, explica Felippe Reis, analista de culturas da EarthDaily.

Em contrapartida, Goiás e Mato Grosso do Sul registraram recuperação expressiva da umidade desde o início de outubro, alcançando níveis superiores à média histórica e aos observados no mesmo período de 2023, 2024 e 2025. A previsão indica manutenção de condições favoráveis nas próximas semanas, reduzindo o risco de restrições hídricas para o estabelecimento da soja e do milho.

No MATOPIBA, região que compreende áreas do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, a disponibilidade hídrica continua abaixo da média em importantes áreas produtoras, especialmente no Tocantins e no oeste baiano. Apesar de uma recuperação pontual em outubro, os níveis permanecem inferiores aos registrados nos dois anos anteriores. No noroeste de Minas Gerais, onde também há déficit de umidade, a previsão do ECMWF aponta recuperação gradual, com possibilidade de intensificação das chuvas na última semana de outubro.

As temperaturas próximas ou abaixo da média em grande parte do Centro-Sul também contribuem para a conservação da umidade do solo, ao reduzir a demanda evaporativa. Esse comportamento favorece o estabelecimento das lavouras de verão nas regiões onde as precipitações já foram suficientes para recompor a disponibilidade hídrica.

Sul registra maior acumulado de chuvas dos últimos 11 anos

Enquanto parte do Centro-Oeste ainda depende de chuvas mais regulares, o excesso de precipitação preocupa os produtores de trigo no Sul. Segundo a EarthDaily, o volume acumulado desde setembro atingiu o maior patamar dos últimos 11 anos, superando inclusive os registros de 2015 e 2023, anos marcados pela influência do El Niño.

“A persistência das chuvas pode dificultar as operações de colheita e comprometer a qualidade dos grãos, principalmente em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul, onde a colheita ocorre mais tarde do que no Paraná. Para os próximos dez dias, entretanto, os modelos meteorológicos indicam precipitações abaixo da média no território gaúcho, o que poderá favorecer a retomada dos trabalhos no campo”, explica Felippe Reis, analista de culturas da EarthDaily.

Próximos dias

Para os próximos dias, a previsão de chuvas acima da média em áreas de Goiás, Minas Gerais, São Paulo e Paraná tende a favorecer a manutenção da umidade do solo e o desenvolvimento inicial das lavouras de verão. Mato Grosso, por outro lado, permanece como o principal ponto de atenção no Centro-Oeste, diante da perspectiva de precipitações insuficientes para uma recuperação mais consistente da disponibilidade hídrica.

 

Informações: Assessoria EarthDaily