Abag vai entregar plano estratégico do agro aos presidenciáveis

Plöger acrescentou que o setor enfrenta excesso de regulação, elevada carga tributária e insegurança jurídica, fatores que, em sua avaliação, reduzem a confiança e afastam investimentos

10/08/2026 às 11:10 atualizado por Gabriel Azevedo e Tania Rabello - Estadão
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A Associação Brasileira do Agronegócio (Abag) vai encaminhar aos candidatos à Presidência da República um plano estratégico para o setor, elaborado a partir da análise de mais de 80 fatores considerados prioritários para o desenvolvimento do agronegócio brasileiro. O anúncio foi feito pelo presidente da entidade, Ingo Plöger, nesta segunda-feira, durante a abertura do 25º Congresso Brasileiro do Agronegócio, em São Paulo.

“Em um momento decisivo para o País, encaminhamos essas propostas aos futuros governantes”, afirmou Plöger. Segundo ele, o objetivo é transformar as propostas construídas pelo setor em uma agenda de longo prazo para o Brasil, que vá além de medidas isoladas de governo.

O presidente da Abag afirmou que o ambiente atual impõe uma série de restrições ao investimento no agronegócio. “Juros elevados restringem o investimento, o crédito, o seguro rural e o financiamento. O verdadeiro oxigênio da atividade produtiva torna-se mais escasso e mais caro”, disse.

Plöger acrescentou que o setor também enfrenta excesso de regulação, elevada carga tributária e insegurança jurídica, fatores que, em sua avaliação, reduzem a confiança e afastam investimentos. No ambiente externo, citou o avanço do protecionismo e a fragmentação geopolítica, que têm redefinido mercados e ampliado as exigências de competitividade.

A esses fatores, segundo ele, somam-se os riscos climáticos, que deixaram de ser conjunturais e passaram a fazer parte de forma permanente da atividade agropecuária. Diante desse cenário, Plöger afirmou que a Abag decidiu estruturar uma visão de longo prazo para o setor e buscar uma “pauta de união de esforços” entre agro e indústria.

O dirigente defendeu que o Brasil avance da condição de grande produtor agrícola para uma posição de liderança nas transformações globais, com a conquista de novos mercados, a criação de novas demandas, a participação na formulação de regras do comércio internacional e a ampliação da atuação na economia de base renovável. “O verdadeiro protagonismo de uma nação não se mede apenas pelo que ela produz, mas pela sua capacidade de liderar transformações”, afirmou.

Segundo Plöger, a integração entre agricultura e indústria foi um dos fatores que permitiram ao Brasil desenvolver uma agricultura tropical capaz de produzir em grande escala e, em algumas regiões, realizar até três safras por ano. Ele comparou a dinâmica atual do campo à lógica industrial, com produção contínua, inovação e maior digitalização.

Ao detalhar o plano estratégico, Plöger afirmou que a Abag e seus associados analisaram mais de 80 fatores e definiram prioridades de implementação. “Construímos um plano para o agronegócio brasileiro”, disse.

O presidente da entidade afirmou que as propostas não buscam tratamento privilegiado para o setor. “Não buscamos privilégios nem favores. Buscamos previsibilidade, segurança jurídica e um ambiente que estimule o investimento, a inovação e o empreendedorismo”, afirmou.

Plöger disse, ainda, que o Brasil já apresenta exemplos regionais de crescimento acima da média e atração de investimentos, mas defendeu que esse processo seja ampliado para todo o País. “Não há desenvolvimento sustentável sem investimentos. Não há investimentos sem confiança. Não há confiança sem liberdade, segurança jurídica e respeito às instituições”, concluiu.