Abimaq: Segmento de máquinas agrícolas passa praticamente incólume pelo tarifaço de Trump

29/07/2026 às 16:10 atualizado por Francisco Carlos de Assis - Estadão
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O presidente da Câmara de Máquinas Agrícolas da Abimaq, Pedro Estevão, afirmou nesta que o segmento de máquinas e implementos agrícolas tem passado praticamente incólume em relação ao tarifaço anunciado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O impacto, de acordo com ele, é muito pequeno para o mercado brasileiro de máquinas agrícolas, tanto do ponto de vista das exportações do setor quanto pelo efeito indireto sobre a renda do agricultor.

A primeira razão, de acordo com o dirigente, é a baixa exposição do segmento ao mercado americano. As exportações de máquinas agrícolas do Brasil para os EUA, disse, representam cerca de 0,8% do faturamento do setor. "Se não exportar mais nada para lá, cai 0,8%. Então, por esse lado, não teve nenhuma consequência", afirmou ele, durante entrevista coletiva em que a Abimaq divulgou os dados do setor de máquinas e equipamentos apurados ao longo do mês de junho.

Um segundo canal de impacto, de acordo com Estevão, seria via uma piora no preço e na comercialização de produtos agropecuários brasileiros, reduzindo a capacidade de investimento do produtor rural - principal cliente da indústria de máquinas. Ele ressaltou, porém, que itens relevantes para o Brasil, como café, carne e laranja, foram colocados como exceção e não entraram na lista de tarifas.

"Se tivessem taxado esses produtos, você teria um problema porque começaria a sobrar produto aqui e o preço podia até cair, mas ele deixou como exceção", disse o executivo, acrescentando que a decisão está ligada ao risco inflacionário nos EUA, por se tratarem de produtos importantes para o consumo do norte-americano.

Estevão reconheceu que outros itens foram atingidos, como frutas, mel e madeira, mas avaliou que se tratam de mercados menores para a indústria de máquinas agrícolas e com pouca influência sobre as vendas do ano. "Nesses mercados tem problema, mas são mercados pequenos para máquinas agrícolas, que não têm uma grande influência nas vendas do ano", afirmou, observando que esse efeito já estaria diluído no cenário de retração estimada para o setor.

O executivo apontou ainda um terceiro efeito, mais estratégico: o fechamento do mercado americano para futuras exportações brasileiras de máquinas agrícolas. Apesar de o volume atual ser reduzido, ele avaliou que os EUA eram um mercado grande e aberto, que poderia ser explorado adiante. "Praticamente ficou inviável a gente explorar isso agora", afirmou.

Ainda assim, Estevão concluiu que, no conjunto, a influência das tarifas anunciadas por Trump sobre as vendas de máquinas agrícolas no Brasil tende a ser limitada. "Em resumo, a influência do tarifaço do Trump no mercado em venda de máquinas agrícolas é muito pequena", reiterou.