Apesar de debate sobre desdolarização, alternativas ao dólar ainda são limitadas, diz Yellen
A ex-secretária do Tesouro dos EUA e ex-presidente do Federal Reserve (Fed), Janet Yellen, avaliou nesta quinta-feira, 23, que o avanço do yuan e de outras alternativas ao dólar nas transações internacionais ainda é limitado e "muito marginal" neste momento, apesar do aumento do debate sobre desdolarização ante o uso de sanções financeiras por Washington.
Em painel na ExpertXP, em São Paulo, Yellen afirmou que, embora países como a China e a Rússia tenham incentivos para reduzir a dependência do dólar, para diminuir a exposição ao sistema bancário americano e ao alcance das sanções, não há hoje um substituto com escala semelhante.
"Não há nenhuma moeda que pode tomar o lugar do dólar", disse, citando a vantagem dos EUA em oferecer mercados financeiros "profundos, líquidos e abertos". "Não há outro mercado que ofereça essa profundidade ou liquidez", acrescentou.
Segundo ela, a predominância do dólar segue evidente na prática. "Mais de 90% das transações transfronteiriças são intermediadas pelo dólar", afirmou, ao citar como exemplo compras internacionais que possuem a operação realizada via conversão, no Brasil, por exemplo, de reais para dólares e de dólares para outra moeda, como o euro, no caso de compras em países europeus.
Yellen lembrou ainda que o congelamento de ativos russos após a invasão da Ucrânia, em 2022, foi uma decisão que trouxe "muitas consequências", o que reforçou a busca por alternativas por países que temem sofrer medidas semelhantes. Ainda assim, apontou entraves, como controles de capital na China.
Ela mencionou, por outro lado, que stablecoins podem ganhar espaço ao facilitar pagamentos internacionais baseados em dólar, o que tende a manter o dólar no centro de parte dessas transações.



