Associação de produtores de soja dos EUA alerta sobre riscos de novas tarifas

29/04/2026 às 15:59 atualizado por Guilherme Nannini - Estadão
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São Paulo, 29 - O presidente da Associação Americana de Soja (ASA) e produtor em Ohio, Scott Metzger, alertou na terça-feira, 28, para os riscos de novas ações tarifárias durante depoimento ao Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) em uma audiência sobre a Seção 301 (instrumento legal dos EUA que permite ao governo investigar e retaliar países com práticas comerciais consideradas injustas). Metzger ressaltou que a soja é o principal produto na pauta de exportação agrícola do país, com 68,7 milhões de toneladas embarcadas no ano comercial de 2024/25, o equivalente a US$ 29,6 bilhões e 58% da produção total. O dirigente manifestou preocupação de que novas investigações possam provocar medidas que prejudiquem as negociações em curso e resultem em tarifas ainda mais altas contra o produto norte-americano pela China. De acordo com o documento protocolado pela ASA e pelo Conselho de Exportação de Soja dos EUA (USSEC), a dependência do mercado chinês é histórica, representando tradicionalmente mais da metade das exportações. Metzger recordou que as ações tarifárias passadas causaram uma queda de 76% no valor das exportações para a China entre 2017 e 2018. O setor teme a repetição deste cenário quando os chineses reagiram a investigações semelhantes com uma tarifa adicional de 25% sobre o grão norte-americano. Atualmente, o país asiático mantém uma tarifa retaliatória de 10% sobre a soja dos EUA. Sem a competitividade de preço garantida pelo fim dessas taxas, os produtores norte-americanos perdem espaço para concorrentes da América do Sul. Aperto nas margens A rentabilidade das fazendas também está sob pressão por causa do custo de produção elevado. Os produtores dependem de cadeias de suprimentos globais para insumos críticos, importando cerca de US$ 33 bilhões anualmente em fertilizantes, defensivos e sementes. O relatório mostra que as tarifas sobre insumos agrícolas subiram para uma média de 12,2%, comparado com menos de 1% antes da medida. Os defensivos foram os mais atingidos, com taxas efetivas de reajuste próximas de 25%. Além disso, incursões militares recentes no Golfo Pérsico causaram estresse adicional no fornecimento de fertilizantes e combustíveis, afetando a oferta de ureia e amônia provenientes da Arábia Saudita, Omã e Catar. Diante desse cenário, a ASA e o USSEC recomendaram ao USTR uma abordagem direcionada que isente insumos agrícolas essenciais de futuras sanções. O presidente da associação também pediu ao governo para manter a estabilidade do comércio na América do Norte, excluindo o Canadá e o México de investigações da Seção 301, preservando o acesso livre de impostos garantido pelo USMCA. Metzger destacou que o número de produtores que faliram sob o Capítulo 12 (reestruturação de dívidas para agricultores) subiu 55% em 2024 frente ao ano anterior, reforçando que o setor não suportaria uma nova batalha tarifária prolongada com seus vizinhos mais próximos.