BC inclui efeitos de segunda ordem em restrições de petróleo como risco para cima ao IPCA
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central manteve a avaliação de que os riscos de alta e baixa para o IPCA permanecem mais elevados do que o usual, diante da "indefinição acerca dos conflitos no Oriente Médio." Mesmo assim, o colegiado incluiu uma pequena modificação no seu balanço, passando a citar impactos de segunda ordem da alta do petróleo como um viés altista para a inflação.
"Entre os riscos de alta para o cenário inflacionário e as expectativas de inflação, destacam-se: uma desancoragem das expectativas de inflação por período mais prolongado, com horizontes mais longos incorporando impactos potenciais de segunda ordem de restrições de oferta de petróleo e seus derivados", diz o comunicado divulgado após a reunião desta quarta-feira, 29.
Esse trecho é uma expansão de outro risco altista - "uma desancoragem das expectativas de inflação por período mais prolongado" - que já vinha sendo citado no balanço de riscos do Copom ao longo dos últimos meses. Essa também é a única mudança do balanço: afora a menção aos impactos de segunda ordem do petróleo, o comitê apenas repetiu os riscos que vinha mencionando ao longo das últimas reuniões.
Ao todo, o colegiado citou três riscos de alta e três riscos de baixa, assim como já vinha fazendo. Entre os vetores para cima, citou uma "maior resiliência na inflação de serviços", por causa de um hiato do produto mais positivo; e uma "conjunção de políticas econômicas externa e interna que tenham impacto inflacionário maior que o esperado", via câmbio, por exemplo.
Entre os três riscos para baixo, o Copom voltou a mencionar uma desaceleração mais forte da atividade doméstica; uma desaceleração global mais pronunciada por causa de choques de comércio e do petróleo (a menção explícita ao petróleo é nova) e por causa da incerteza; e uma redução dos preços de commodities com efeitos desinflacionários.



