Cautela externa, dados do varejo e balanços, como o da Vale, pesam no Ibovespa
O quadro cauteloso dos índices de ações do Ocidente e o recuo das commodities empurraram o Ibovespa para baixo no período da manhã desta sexta-feira, 13, pré-feriado de carnaval. Soma-se a este ambiente de parcimônia, a queda nas vendas varejistas brasileiras em dezembro e o avanço do prejuízo atribuível aos acionistas da Vale de US$ 3,844 bilhões no último trimestre de 2025.
"Por enquanto, é ajuste. Não houve mudanças significativas para mudar a tese, de dinâmica positiva", diz Bruno Takeo, estrategista da Potenza Capital.
No exterior, o dado mais esperado era o CPI. O índice de preços ao consumidor dos Estados Unidos cresceu menos do que o esperado em janeiro e o núcleo do indicador ficou alinhado ao previsto pelo mercado. Os dados reforçaram apostas de retomada de afrouxamento monetário pelo Federal Reserve (Fed) em junho, após nesta semana o payroll mostrar aquecimento do mercado de trabalho no primeiro mês do ano, colocando em dúvida recuo das taxas no mês citado acima.
"O mercado lá fora está um pouco receoso com juros e com empresas de tecnologia, procurando ativos defensivos", diz Luiz Roberto Monteiro, operador da mesa institucional da Warren Rena DTVM. "A dúvida é se serão dois ou três cortes de juros este ano nos Estados Unidos", completa.
No Brasil, os sinais de desaceleração gradual da atividade mantêm expectativas de redução de 0,50 ponto porcentual na taxa Selic em março. Atualmente, a taxa está em 15% ao ano. Neste sentido, a Pesquisa Mensal de Comércio (PMC), divulgada nesta manhã pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), tende a corroborar essa visão do mercado em relação à Selic. Contudo, ações mais sensíveis ao ciclo econômico caem, assim como a maioria dos 85 papéis. Às 11h18, só oito subiam.
As vendas do comércio varejista caíram 0,4% em dezembro ante novembro, um recuo mais intenso do que a mediana das expectativas encontras em pesquisa feita pelo Projeções Broadcast. Na comparação com dezembro de 2024, sem ajuste sazonal, as vendas do varejo subiram 2,3%, aquém da mediana positiva de 2,5%.
No ano de 2025 como um todo, o varejo restrito encerrou com alta de 1,6%, conforme a mediana das estimativas. Já o ampliado mostrou crescimento de 0,1% em 2025, igual à mediana das projeções; recuo de 1,2% em dezembro ante novembro (mediana: -1,0%); expansão de 2,8% no confronto interanual, de mediana em 2,9%.
"O varejo tornou a decepcionar em dezembro, com desempenho negativo generalizado", afirmam em nota João Maurício Rosal, Homero Guizzo e Luís Bettoni, da Terra Investimentos.
Na safra de balanços, a Vale divulgou seus números ontem após o fechamento da B3. A mineradora Vale registrou lucro líquido proforma de US$ 1,464 bilhão no quarto trimestre de 2025, alta de 68% em um ano, mas reportou prejuízo atribuível aos acionistas de US$ 3,844 bilhões, revertendo expectativa de lucro, após impairment de US$ 3,5 bilhões em ativos de níquel no Canadá e baixa de imposto diferido. Ebitda e receita vieram em linha. Em 2025, o lucro proforma totalizou US$ 7,796 bilhões (+28%). Após caírem cerca de 3% mais cedo, as ações da Vale recuavam 1,57% no horário citado acima.
Ja Usiminas subia 1,82%. A empresa, que anunciou a renúncia de Alberto Ono à presidência do conselho de administração, registrou Ebitda ajustado de R$ 417 milhões, queda de 19% no comparativo anual. Já a receita líquida caiu 6%, para R$ 6,17 bilhões, e o lucro líquido foi de R$ 129 milhões, revertendo o prejuízo apurado no ano passado.
Hoje, em Dalian, o minério de ferro caiu 2,36%, a poucos dias do ano novo chinês, que fecha os mercados por uma semana, a partir do dia 17, enquanto o petróleo recua próximo da estabilidade tanto em Londres quanto nos EUA. As ações da Petrobrás caíam em torno de 1% Ações de grandes bancos recuavam entre 5,11% (Banco do Brasil) e 2% (Bradesco). Itaú Unibanco cedia 2,09% e Unit de Santander, -1,87%. A maior alta da carteira era Eneva (7,81%). Hoje a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aprovou os editais dos leilões de reserva de capacidade com preços-teto entre R$ 1,4 milhão a R$ 2,9 milhão por megawatt-ano para o primeiro edital, o que pode ajudar em planos de desenvolvimento da Eneva.
Ontem o Ibovespa fechou em baixa de 1,02%, aos 187.766,42 pontos, acumulando alta semanal de 2,63%. Às 11h21, o Índice Bovespa caía 1,40%, aos 185.083,64 pontos, após recuar 1,72%, na mínima em 184.531,67 pontos, após abertura na máxima em 187.765,82 pontos, com variação zero.



