China suspende importações de carne bovina de frigorífico da Frigosul em MT

16/04/2026 às 10:41 atualizado por Isadora Duarte e Leandro Silveira - Estadão
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A China suspendeu as importações de carne bovina e derivados do frigorífico Pantaneira Indústria e Comércio de Carnes e Derivados Ltda. (SIF 1206), pertencente ao grupo Frigosul (SulBeef), em Várzea Grande (MT). A unidade foi desabilitada pela Administração Geral das Alfândegas da China (GACC).

A Frigosul é uma empresa brasileira do setor frigorífico com atuação no abate e processamento de carne bovina. O grupo possui quatro unidades no País, em Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, São Paulo e Rio Grande do Sul, sendo uma delas a planta de Várzea Grande, agora suspensa.

A informação foi revelada pela Globo Rural e confirmada pelo Broadcast Agro (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado) no sistema de registro de empresas importadoras de alimentos da China (Ciferquery SingleWindow), gerido pela GACC.

Segundo a publicação chinesa, a suspensão está vigente desde a última segunda-feira, 13, e também consta no Sistema de Informações Gerenciais do SIF (SIGSIF), do Ministério da Agricultura, com atualização registrada na terça-feira, 14.

A medida foi comunicada ao governo brasileiro pela adidância agrícola em Pequim, em ofício enviado ao Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Animal (Dipoa), documento ao qual a reportagem teve acesso.

De acordo com o comunicado, o motivo da suspensão foi a detecção de uma substância proibida na China, o acetato de medroxiprogesterona, em um lote de carne bovina congelada desossada exportado pela unidade. O composto é utilizado como medicamento veterinário.

Procurados, a Frigosul e o Ministério da Agricultura não responderam até a publicação original do texto, na quarta-feira, 15, no Broadcast Agro, que deixou o espaço aberto para manifestação dos citados.

Abiec diz que suspensão de frigorífico pela China é preventiva e que carga foi descartada

A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) afirmou, em nota, que a suspensão de uma unidade frigorífica brasileira pelas autoridades sanitárias da China tem caráter "temporário e preventivo" e ocorre para viabilizar a rastreabilidade da matéria-prima e a adoção de medidas corretivas.

Em nota, a entidade disse que acompanha o caso "em conjunto com o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa)", após a "detecção de uma substância utilizada no manejo do rebanho".

"A carga já foi devidamente descartada, a pedido das autoridades chinesas, conforme os protocolos sanitários", disse a Abiec na nota.

A associação destacou que o Brasil tem "um dos sistemas de controle sanitário mais rigorosos e reconhecidos internacionalmente, com monitoramento contínuo ao longo de toda a cadeia produtiva e atuação permanente do Serviço de Inspeção Federal (SIF)".

De acordo com a entidade, a medida adotada pela China busca "permitir a rastreabilidade da matéria-prima e a adoção das providências necessárias, conforme os protocolos sanitários estabelecidos pelas autoridades competentes". A Abiec acrescentou que o tema continua em discussão "no âmbito técnico entre as autoridades brasileiras e chinesas, com vistas à rápida normalização da situação".

A associação também ressaltou que "os demais estabelecimentos habilitados seguem operando normalmente", garantindo a continuidade do fluxo das exportações de carne bovina brasileira ao mercado chinês.