CNA eleva estimativa de crescimento do PIB agro para 2,8%, em análise preliminar
Brasília, 29 - A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) elevou sua estimativa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) da Agropecuária neste ano para 2,8%. A estimativa da entidade é preliminar e deve ser revisada após os resultados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira referentes ao primeiro trimestre do ano. "A safra de grãos mostrou desenvolvimento positivo, a ver como serão segundo, terceiro e quarto trimestres deste ano. A incógnita para este ano é a pecuária, com desempenho afetado pela instabilidade geopolítica, salvaguarda chinesa e restrição da União Europeia (UE)", disse ao Broadcast Agro (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado) o coordenador do Núcleo Econômico da CNA, Renato Conchon.
Em março, a CNA previa avanço de 1,22% para o PIB da agropecuária, o que foi revisto para 3,5% no início deste mês e agora tende a oscilar para 2,8%. Conchon destaca que o resultado é positivo sobre uma base expressiva registrada no ano passado.
Para o PIB nacional, a CNA também vê crescimento mais moderado, de 1,9% neste ano, ante 2,3% de alta no ano passado. "Do lado da demanda, vemos crescimento puxado pelo consumo das famílias atrelado aos estímulos governamentais como a isenção do imposto de renda e a liberação do uso do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), portanto, um crescimento baseado em estímulo. Do lado da oferta, a indústria extrativa cresce, sobretudo o setor petróleo, óleo e gás tende a ter o resultado impulsionado pelo aumento de preços e aumento da produção decorrente do conflito no Oriente Médio", explicou Conchon. Esses fatores, segundo o economista, já influenciaram o PIB nacional no primeiro trimestre deste ano.
Com crescimento do agro inferior aos demais setores, a participação da agropecuária no PIB Brasil deve sair de 7,54% em 2025 para entre 7,1% e 7,2% neste ano, na previsão preliminar da CNA. "Vemos estabilidade na contribuição do setor à economia. Não é algo que surpreenda", explicou.
Em relação ao primeiro trimestre deste ano, o crescimento do PIB agro da ordem de 0,7% superou levemente a expectativa da entidade. "A safra de soja foi muito boa, mesmo sobre uma colheita excelente de 2025. É um resultado positivo sobre uma base elevada do ano passado", apontou. Além da soja, a CNA destaca como fatores positivos para o desempenho no último trimestre, o avanço da produção de café, girassol, castanha, mamona e cacau, enquanto feijão, arroz, algodão, trigo e milho contribuíram negativamente para o desempenho da produção agrícola. "O crescimento dos abates também foram fatores de impulso", observou.
Para o segundo trimestre deste ano, a tendência é de variação marginal em comparação com igual período do ano passado, que também vem de uma base de comparação elevada, aponta Conchon. Do lado das contribuições positivas, estão a maior safra de milho, café e cana-de-açúcar esperadas. Já a pecuária segue como incógnita, segundo Conchon. "O primeiro trimestre foi bom em abates, mas vemos um movimento de desaceleração. Há fatores a serem acompanhados como o limite da cota de exportação de carne bovina sem sobretaxa à China, a restrição ou não da União Europeia e se o ritmo mais lento de abates se confirmará", observou o economista.
Sazonalmente, lembra Conchon, o PIB da agropecuária tende a ter desempenho mais forte no primeiro trimestre do ano puxado pela colheita da safra de verão, seguido por arrefecimento no segundo trimestre, um terceiro trimestre mais fraco e retomada da aceleração no quarto trimestre do ano, impulsionado pela colheita das culturas de inverno e aumento do abate pecuário em meio às Festas de fim de ano.
Para 2026, a CNA vê como pontos de atenção para o comportamento do PIB da agropecuária as incertezas climáticas, as salvaguardas chinesas sobre a importação de carne bovina, o crescimento das tensões no Oriente Médio com reflexo nos preços de fertilizantes e nos embarques de produtos agropecuários, a restrição da União Europeia às proteínas animais, a volatilidade do dólar frente às principais cestas de moedas estrangeiras, o cenário de juros elevados, o estímulo governamental à transferência de renda, a atratividade do Brasil como moeda emergente, a redução do poder de compra das famílias e do crescimento real do salário mínimo.
Entre as incertezas climáticas, Conchon cita a possibilidade de formação do El Niño no segundo semestre, que pode afetar lavouras de trigo colhidas ainda neste ano e, portanto, o desempenho do PIB agropecuário. Mas a maior preocupação quanto ao El Niño recai sobre a safra 2026/27, sobretudo a de verão, que será colhida a partir de janeiro de 2027 e repercutirá em grande parte sobre o resultado do setor no próximo ano.



