Conservadorismo do BC ao longo de 2025 deu gordura para observar momento atual, diz Galípolo

26/03/2026 às 12:53 atualizado por Marianna Gualter, Cícero Cotrim e Daniel Tozzi Mendes - Estadão
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O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou nesta quinta-feira, 26, que o BC brasileiro está hoje em posição com alguns benefícios que permitem que a instituição observe os desenvolvimentos do conflito no Oriente Médio para entender como irão afetar a economia brasileira. Essa posição decorre de o País ser exportador de petróleo e de a taxa de juros estar em nível bastante contracionista.

"O conservadorismo que o Banco Central Brasileiro adotou ao longo do ano de 2025 reservou para a gente uma posição melhor do que se não tivesse sido conservador", disse Galípolo, que emendou que essa postura permite a autoridade monetária uma "gordura" para analisar os desdobramentos do conflito.

A declaração foi realizada durante entrevista coletiva sobre o Relatório de Política Monetária (RPM) do 1º trimestre de 2026.

"Estamos entendendo e vamos aprender mais daqui até a próxima reunião do Copom. O BC tem esse benefício de que só precisa tomar uma decisão a cada 45 dias", disse o banqueiro central, que reforçou que haverá uma condução cautelosa da política monetária.

Galípolo ponderou que embora o Brasil seja exportador de petróleo, ainda é dependente da importação de uma série de ativos, por isso destacou ser importante acompanhar como esses preços irão se comportar a partir de agora.

Ele frisou ser muito importante observar os efeitos de segunda ordem do petróleo, diante da economia resiliente, e enfatizou ser preciso tempo para entender o comportamento dos riscos que estão no balanço.

Consignado privado

O presidente do Banco Central afirmou ainda que houve um crescimento expressivo nas concessões de crédito, a partir da nova modalidade de consignado para trabalhadores do setor privado, lançada pelo governo no ano passado. "Você vê o consignado privado crescendo com taxas bastante altas, acima de 50%, 60% quase, porque você está restringindo uma oferta que existia antes, e colocando pessoas que antes não tinham acesso a crédito", detalhou.

Segundo ele, essas pessoas, que passaram a tomar esse crédito, têm um "score" um pouco pior, o que faz com que o custo de crédito fique mais alto.

Galípolo também comentou que, atualmente, o "arranjo" de tomada de crédito no País não é muito bom para o funcionamento da política monetária, dado que esse custo de crédito está muito alto.

"As pessoas tomam o crédito emergencial como uma renda disponível para elas. E esse é o crédito mais caro que existe, é o crédito que deveria ser utilizado só em condições emergenciais", detalhou o presidente do BC.