Dólar fecha estável e abaixo de R$ 5,00 apesar de impasse no Oriente Médio

28/04/2026 às 17:51 atualizado por Antonio Perez - Estadão
Siga-nos no Google News

Após ter superado R$ 5,00 pela manhã, o dólar perdeu força ao longo da tarde e encerrou esta terça-feira, 28, cotado a R$ 4,9824 (+0,01%). Na mínima, caiu a R$ 4,9725. Operadores afirmam que, além da retomada do apetite por divisas latino-americanas na segunda etapa de negócios, exportadores podem ter aproveitado a escalada do dólar mais cedo para internalizar recursos. É possível também que questões técnicas típicas de fim de mês, como rolagem de posições no segmento futuro, tenham acentuado a volatilidade.

O head de banking da EQI Investimentos, Alexandre Viotto, afirma que, apesar de certa aversão ao risco no exterior, o real continua apoiado pela melhora dos termos de troca, com a manutenção dos preços do petróleo em níveis elevados, e pela atratividade do carry trade.

"A perspectiva ainda é de apreciação do real. Mas a queda do dólar deve ocorrer, a partir de agora, em um ritmo mais lento. Se tudo continuar como está, podemos ver dólar a R$ 4,90 ou até R$ 4,80", afirma Viotto, ressaltando que o provável resultado da superquarta manterá um diferencial de juros favorável ao real.

Praticamente estável no fechamento desta terça, o dólar já acumula queda de 3,79% em abril, o que leva as perdas no ano a 9,32%. O real apresenta em 2026 o melhor desempenho entre as divisas mais líquidas, incluindo fortes e emergentes.

A aposta majoritária é que o Comitê de Política Monetária (Copom) anuncie na quarta-feira à noite o segundo corte da taxa Selic em 0,25 ponto porcentual, para 14,50% - e reforce, em seu comunicado, a postura cautelosa na "calibração" da política monetária, que deve seguir restritiva.

Pela manhã, o IBGE informou que o IPCA-15 subiu 0,89% em abril, abaixo do piso das estimativas da pesquisa Projeções Broadcast (0,90%). Casas como Itaú, Asa e XP alertaram, contudo, que a prévia da inflação oficial apresentou um quadro qualitativo ruim, reforçando a perspectiva de cautela no manejo da taxa de juros.

Já o Federal Reserve, na última reunião do atual presidente, Jerome Powell, deve anunciar manutenção da taxa básica de juros na faixa entre 3,50% e 3,75%. As preocupações com os efeitos inflacionários do choque energético devem permear a mensagem do BC americano antes da passagem de bastão para Kevin Warsh, indicado ao posto pelo presidente Donald Trump, crítico da gestão de Powell.

Termômetro do comportamento do dólar em relação a uma cesta de seis moedas fortes, o índice DXY exibia leve alta no fim da tarde, ao redor dos 98,600 pontos, depois de máxima aos 98,874 pontos. O Dollar Index recua cerca de 1,20% em abril, mas ainda exibe avanço de pouco mais de 0,30% no ano.

As cotações do petróleo voltaram a subir com o comprometimento do fluxo de embarcações pelo Estreito de Ormuz, diante do impasse nas negociações de paz entre Estados Unidos e Irã. O contrato do Brent para julho, referência de preços para a Petrobras, fechou em alta de 2,66%, a US$ 104,40 o barril. No início da tarde,a CNN reportou que mediadores no Paquistão esperam receber, nos próximos dias, uma proposta revisada do Irã para encerrar a guerra.

Em relatório, o Citi afirma que a apreciação recente do real reflete a melhora dos termos de troca, uma vez que o Brasil é exportador líquido de petróleo, e uma redução da aversão ao risco, com queda do VIX. O banco ressalta que um quarto da apreciação do real no ano, que já supera 9%, ocorreu durante o conflito no Oriente Médio. O CDS (Credit Default Swap) de 5 anos do Brasil, que mede o risco soberano, também recuou desde o início da guerra.

"As dinâmicas de médio e longo prazo parecem menos favoráveis: os riscos no front externo dependem da duração e da intensidade das tensões geopolíticas, que podem impactar o real devido à maior aversão ao risco, medida pelo VIX", afirma o Citi, acrescentando que períodos eleitorais estão associados a uma maior volatilidade da taxa de câmbio. "Estimamos dólar em R$ 5,35 até o fim de 2026."