Dólar sobe com incertezas fiscais e cautela no exterior

No radar do investidor está ainda o relatório do mercado de trabalho dos EUA, o payroll, que será divulgado na sexta-feira

03/11/2026 às 09:51 atualizado por Silvana Rocha - Estadão
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Na volta do feriado de Finados no Brasil, o dólar opera em alta no mercado à vista e os juros futuros sobem também com investidores na expectativa pelas indicações de nomes e medidas econômicas e fiscais para o governo Lula 4 em meio à cautela internacional.

 

O petróleo recupera parte da queda de mais de 7% da véspera, com a escalada das tensões após novo ataque dos EUA à Ilha de Qeshm, no Irã. Os juros dos Treasuries e o dólar também sobem de olho nas eleições de meio de mandato nos EUA e as incertezas sobre o retorno dos investimentos em inteligência artificial, após balanços mistos de empresas de tecnologia.

 

A eleição norte-americana é um teste para o presidente dos EUA, Donald Trump, e poderá limitar sua agenda política caso os republicanos percam maiorias no Congresso. Projeções indicam mais de 90% de chance de os democratas retomarem o controle da Câmara e de 70% a 75% de perderem a maioria republicana no Senado.

 

No radar do investidor está ainda o relatório do mercado de trabalho dos EUA, o payroll, que será divulgado na sexta-feira.

 

No Brasil, às vésperas da decisão do Copom, na quarta-feira, a expectativa é de manutenção da Selic em 13,75% ao ano. No mercado de juros, as taxas futuras seguem em alta, depois da reprecificação histórica em reação à vitória de virada do presidente Lula nas eleições presidenciais. A percepção de aumento de riscos inflacionários tornou majoritárias as apostas de manutenção da Selic.

 

No boletim Focus, as projeções do mercado para a inflação também subiram para todos os anos do horizonte pesquisado. A estimativa para o IPCA de 2026 passou de 5,19% para 5,22%, acima do teto da meta, enquanto a de 2027 avançou de 4,34% para 4,76%. Para 2028, subiu de 3,75% para 4,00% e, para 2029, de 3,50% para 3,99%. A projeção suavizada do IPCA em 12 meses à frente também aumentou, de 4,53% para 4,96%.

 

O Índice de Preços ao Consumidor Semanal, da Fundação Getulio Vargas, desacelerou para 0,32% no fechamento de outubro, ante 0,46% na terceira quadrissemana e 0,67% em setembro. O resultado ficou abaixo do piso das estimativas da Projeções Broadcast, cuja mediana era de 0,42%. Em 12 meses, acumula alta de 4,14%.

 

Na China, o Banco do Povo (PBoC) elevará de 4% para 6% o recolhimento compulsório sobre depósitos em moeda estrangeira das instituições financeiras a partir de 15 de novembro, para reforçar a gestão da liquidez cambial.

 

Às 9h25, dólar à vista tinha mínima a R$ 5,4747, com alta de 0,56%.