Dólar tem leve recuo com real 'protegido' por ganhos com petróleo
Após trocas de sinal pela manhã, o dólar perdeu força frente ao real ao longo da tarde desta quarta-feira, 8, alinhado ao comportamento da moeda americana no exterior. Apesar da ausência de sinais firmes de arrefecimento das tensões entre Estados Unidos e Irã, houve uma diminuição da aversão ao risco, o que levou à moderação do ritmo de alta do petróleo e, por tabela, das taxas dos Treasuries.
Com máxima de R$ 5,1847 e mínima de R$ 5,1367, o dólar à vista terminou a sessão desta quarta-feira, 8, cotado a R$ 5,1484, queda de 0,09%. Divisas emergentes latino-americanas e o rand sul-africano, principais pares do real, amargaram perdas, embora modestas. A moeda americana acumula desvalorização de 0,28% nos seis primeiros pregões de julho, após avanço de 2,38% em junho.
O economista-chefe da Franklin Templeton Brasil, Adauto Lima, observa que o real teve desempenho superior ao de seus pares com os recrudescimento do risco geopolítico nos últimos dias pelo fato de o Brasil ser exportador líquido de petróleo, o que leva a alta da commodity a se traduzir em melhora dos termos de troca.
"O real performou melhor no período de guerra e perdeu um pouco de valor, junto com as outras moeda emergentes, com a postura mais conservadora do Federal Reserve. Agora, com a volta dos atritos lá fora, sofre menos", afirma Lima, para quem as questões doméstica, em especial o quadro fiscal, ser refletem mais no mercado de juros.
As cotações do petróleo oscilaram ao sabor de declarações de Trump sobre as negociações com o Irã. Depois de superar US$ 80 no fim da manhã, o barril do Brent para setembro fechou a US$ 78,02, avanço de 5,20%. Trata-se do maior nível desde 22 de junho.
À luz de ataques recentes a embarcações no Estreito de Ormuz, Trump subiu o tom em relação a Teerã pela manhã ao afirmar que o acordo de cessar-fogo "acabou". À tarde, o republicano disse não saber se quer chegar a um entendimento com o Irã, mas ponderou que não vê uma retomada da guerra.
"No fim das contas, o real acabou se beneficiando dessa alta do petróleo e de outras commodities, destoando do comportamento de outras divisas emergentes", afirma a economista-chefe do Ouribank, Cristiane Quartaroli.
Termômetro do comportamento do dólar em relação a divisas fortes, o índice DXY rondava a estabilidade no fim da tarde, no limiar dos 101,000 pontos, após máxima aos 101,275 pontos pela manhã. Destaque para os ganhos de cerca de 0,60% da coroa norueguesa, também ligada ao petróleo.
Em formato mais enxuto, seguindo a linha adotada no comunicado de junho, a ata do Federal Reserve (Fed) confirmou a preocupação dos dirigentes do BC americano com a inflação e reiterou a percepção de falta de consenso sobre os rumos da política monetária.
"A ata mostrou divisão dentro do Fed em ambiente de muita incerteza, até porque tivemos alta do petróleo com o retorno de um conflito que parecia prestes a se encerrar", afirma o estrategista-chefe da Avenue, William Castro Alves, ressaltando, contudo, que a comunicação recente do Fed é mais conservadora e aponta para elevação do juro básico.



