Humor externo melhora e influencia Ibovespa em dia de decisão do Copom

No exterior, há expectativa de um acordo entre Estados Unidos e Irã para reabrir o Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um quinto do petróleo mundial

05/08/2026 às 11:28 atualizado por Maria Regina Silva - Estadão
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A alta das bolsas em Nova York e na Europa e o avanço do minério de ferro favorecem o Ibovespa nesta quarta-feira, 5, dia de decisão do Comitê de Política Monetária (Copom). No Brasil, também ficam no foco balanços como os de Itaú, Gerdau e C&A, além de pesquisas sobre a corrida presidencial. O Bradesco divulga o resultado trimestral após o fechamento da B3.

 

No exterior, há expectativa de um acordo entre Estados Unidos e Irã para reabrir o Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um quinto do petróleo mundial. Enquanto isso, investidores avaliam o relatório ADP, que mostrou criação de 44 mil vagas no setor privado em junho nos EUA, abaixo da mediana das estimativas (75 mil). O dado entra no radar para calibrar as apostas para o payroll, na sexta-feira, e para os próximos passos do Federal Reserve (Fed, na sigla em inglês).

 

Ontem, o Ibovespa fechou praticamente estável (+0,06%), aos 177.894,97 pontos, apesar do rali em Wall Street. Aqui, pesou principalmente a queda das ações da Petrobras, após o recuo do petróleo, que encerrou abaixo de US$ 80 o barril. Hoje, a commodity voltou a subir. O Brent chegou a alcançar máxima de US$ 80,95, em alta de cerca de 1%. Perto das 11 horas, subia 0,19%, a US$ 79,52.

 

"Acompanha bem o exterior. Ontem foi assim até um certo momento, mas depois realizou um pouco. Temos de ver como será a parte da tarde", diz Pedro Moreira, da One. Diferentemente da véspera, hoje há algumas preocupações no radar como a reunião do Copom. "A decisão, um corte da Selic já está contratado. Temos de ver como virá o comunicado, se reforçará expectativa de juros em 13,75% no final deste ano, como indica o boletim Focus", completa Moreira.

 

Depois de o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, dizer ontem que um acordo para reabrir o estreito pode sair ainda hoje, o presidente do país, Donald Trump, afirmou que o acerto pode ser fechado nesta quarta ou na quinta-feira. Irã e Omã, que compartilham a rota marítima, avançaram nas tratativas para normalizar a navegação na região.

 

O mercado também digere a pesquisa Genial/Quaest e Meio/Ideia, que mostram o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à frente na simulação de segundo turno contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na disputa eleitoral deste ano. A crise diplomática entre Brasil e EUA continua no foco. Ainda, Flávio deve divulgar hoje o nome que comporá a sua chapa na disputa pela Presidência da República.

 

Entre os balanços, o Itaú reportou lucro líquido gerencial de R$ 12,4 bilhões, alta de 7,8% e em linha com o esperado pelo mercado. A Gerdau registrou crescimento anual de 69,7% no lucro. Também divulgaram balanços Klabin, GPA, Prio e Tenda.

 

Quanto ao Copom, espera-se corte de 0,25 ponto porcentual na Selic, que atualmente está em 14,25%. O foco maior fica no comunicado, que pode indicar os próximos passos da política monetária. "O futuro permanece incerto, principalmente no longo prazo", diz Alvaro Bandeira, coordenador de Economia da Apimec Brasil, em comentário matinal.

 

Às 11h09, o Ibovespa subia 1,23%, aos 180.083,06 pontos, na máxima, após abertura na mínima em 177.896,23 pontos, com variação zero. Vale tinha alta de 0,34%. Bancos também avançavam. Itaú tinha elevação de 2,73%. Já Petrobras recuava entre 0,28% (PN) e -0,75% (ON).