IA, democracia e espiritualidade: os destaques do 1º dia do São Paulo Innovation Week

13/05/2026 às 08:09 atualizado por Gonçalo Junior - Estadão
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O festival São Paulo Innovation Week abre sua programação nesta quarta-feira, 13, com debates sobre IA, cidades, comportamento, ciência, esporte e cultura. Já no primeiro dia, o evento de inovação e tecnologia mostra sua cara de diversidade, com encontros provocativos e "fora da caixa".

Promovido pelo Estadão, em parceria com a Base, o São Paulo Innovation Week reúne na Arena Pacaembu e na Fundação Armando Alvares Penteado (Faap) nomes que espelham esse caleidoscópio, como Daniel Goleman, Marcelo Gleiser, Ailton Krenak, Monge Coen, Caco Barcelos, Dmitry Muratov, Maju Coutinho e Ronaldo Lemos.

As discussões sobre o impacto humano da inovação tratam de IA a saúde mental, espiritualidade, mobilidade urbana e futuro do trabalho. O SPIW reunirá mais de 2 mil convidados brasileiros e internacionais.

IA, comportamento e os limites do humano

A IA é um dos principais eixos do evento, com debates que abordam os efeitos sociais, econômicos e culturais da tecnologia, além das incertezas que cercam sua expansão.

Na apresentação "Mentes brilhantes não pensam igual: por que os limites da razão nos tornam mais humanos", o físico Marcelo Gleiser, que aparece em diferentes momentos da programação, propõe uma nova visão da razão, mais plural, na qual a diversidade de perspectivas é condição para o conhecimento.

"Existe um quarteto formado pela ciência, filosofia, espiritualidade e as artes. Essas quatro coisas formam o que eu chamo do quarteto existencial humano", compara.

Depois, ao lado do psicólogo Daniel Goleman, referência mundial em inteligência emocional, Gleiser apresenta um painel que promete lotar ao propor uma pergunta central: o que ainda será exclusivamente humano quando máquinas passarem a executar tarefas cognitivas complexas?

Em outro painel provocativo, o empresário Ferdi Alici discute a ideia de uma "inteligência viva" a partir da relação entre dados, consciência e tecnologia. O tema, por si só, já é instigante: "Quando os Dados Começam a Sentir: Estamos Prontos para uma Inteligência Viva".

Ciência, espiritualidade e democracia

A programação também aposta em encontros improváveis, que traduzem a originalidade do evento. É o caso da conversa entre Monja Coen, Ailton Krenak e Marcelo Gleiser sobre ciência, espiritualidade e saberes ancestrais. Um líder indígena, uma monja zen e um físico teórico debatendo "o que é a realidade" é um resumo da proposta do SPIW.

Fundadora da comunidade zen-budista no Brasil e autora de mais de 30 livros, Monja Cohen se mostra otimista com o futuro. "Às vezes dizemos que a humanidade não tem jeito. Eu não acredito nisso. Estamos bem melhor do que estávamos há mil anos. Estamos num processo de transformação contínuo, mas temos que direcionar essa transformação. Saber usar, por exemplo, a inteligência artificial, para que seja útil para nós", afirmou em entrevista exclusiva ao Estadão na semana passada.

Outro momento com grande potencial de repercussão reúne o jornalista Caco Barcelos e o Nobel da Paz Dmitry Muratov, editor russo conhecido por sua oposição ao regime de Vladimir Putin.

Em um cenário global marcado por guerras, desinformação e ataques à imprensa, o painel "Coragem e Liberdade" deve trazer ao centro do debate os riscos contemporâneos do jornalismo e da democracia.

Cultura pop, influência e saúde mental

O evento também mira o comportamento e as transformações culturais que acompanham a economia digital, com a presença de nomes como Pequena Lo, Bruna Lombardi, Martha Medeiros e Seu Jorge.

No campo das cidades, o primeiro dia do SPIW coloca São Paulo no centro da discussão sobre mobilidade e inovação urbana. A presença de Sérgio Avelleda, coordenador do Núcleo de Mobilidade Urbana do Laboratório Arq. Futuro de Cidades do Insper, em um painel sobre integração de modais e o debate sobre o sistema de monitoramento Smart Sampa aproximam a discussão dos problemas concretos da metrópole.

Avelleda tem visão crítica sobre o planejamento urbano da cidade. "Se nós continuarmos estimulando o uso do automóvel, vamos para o caos. Aliás, nós já estamos no caos. Os índices de trânsito em São Paulo não param de piorar. Vai travar completamente".

Há ainda espaço para temas que normalmente não são discutidos com destaque em eventos de inovação tradicionais:

- o agro surge conectado à tokenização, inteligência de dados, numa discussão sobre o impacto do digital no campo;

- o futebol é analisado como plataforma de investimento e mídia; enquanto a moda se associa à sustentabilidade, desejo e longevidade de consumo;

- o "novo luxo" ganha nova leitura, em conversa entre Alice Ferraz e Diana Verde Nieto sobre consumo consciente e reputação.

Experiências imersivas para humanizar a tecnologia

O SPIW também quer fazer o público discutir o futuro também por meio de experiências imersivas e sensoriais. O futuro também deve ser sentido na pele num laboratório sensorial a céu aberto.

A experiência começa logo na chegada à Arena Pacaembu. A instalação Fluxus recebe o público com um túnel de 50 metros formado por placas suspensas de LED que criam um fluxo contínuo de imagens em movimento. Inspirada nas conexões neurais do cérebro, a obra propõe uma espécie de travessia simbólica: um convite para mergulhar em novas formas de percepção.

Duas esculturas SPIW Head com mais de 3 metros de altura estão localizadas em pontos estratégicos dos dois pontos do evento. As esculturas foram concebidas como "guardiãs" do festival. Com elementos humanos, tecnológicos e sustentáveis, simbolizam uma pergunta central do evento: qual é o papel da inteligência humana em um mundo cada vez mais automatizado?

A empresa de tecnologia criativa Led Pulse, referência mundial em exibições artísticas com LED, apresenta a experiência interativa Hu•Machine. A obra explora o limite entre a intuição humana, a cognição e a consciência coletiva. São 26 módulos com 156 mil LEDs a serviço de um organismo vivo que reage de acordo com o público presente dentro da obra.

Palestras destacadas do dia 13

- Mentes brilhantes não pensam igual: por que os limites da razão nos tornam mais humanos - Marcelo Gleiser - 11h - Arena Pacaembu - Subsolo - Palco 18

- Inteligência emocional: a habilidade que vai definir o futuro humano - Daniel Goleman e Marcelo Gleiser - 13h30 - Arena Pacaembu - Subsolo - Palco 18

- Fantástico apresenta - Maju Coutinho, Sonia Bridi, Poliana Abritta e Renata Ceribelli 14h45 - Arena Pacaembu - Mercado Pago Hall - Subsolo - Palco 18

- A arte do imprevisível - Roberta Martinelli, Zélia Duncan e Seu Jorge - 14h45 - Arena Pacaembu - Quadra de Tênis - Palco 15

- IA e Regulação: Como está esta corrida? - Erick Bretas e Ronaldo Lemos - 15h - Arena Pacaembu - Esplanada - Palco 8

- Coragem e Liberdade: Histórias que Transformam" - Caco Barcelos e Dmitry Muratov - 16h - Arena Pacaembu - Subsolo - Palco 18

- Estamos sozinhos? Vida extraterrestre e o novo lugar da humanidade - Didier Queloz, Adam Frank e Marcelo Gleiser - 16h - Faap - Prédio 01 Subsolo - Palco 25

- O que é a realidade? Ciência, espiritualidade e sabedoria ancestral em diálogo - Monja Coen, Ailton Krenak e Marcelo Gleiser - 17h15 - Arena Pacaembu - Mercado Pago Hall - Subsolo - Palco 18