Ibovespa perde força à tarde mas renova também recorde de encerramento

29/08/2025 às 17:54 atualizado por Luís Eduardo Leal - Estadão
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O Ibovespa perdeu força ao longo da tarde após ter renovado o recorde intradia, aos 142.378,69, então em alta perto de 1%, na máxima histórica pela segunda sessão consecutiva. O movimento ascendente desta sexta-feira, contudo, foi o suficiente para colocar o índice da B3 também no maior patamar histórico de fechamento, quebrando a marca de 4 de julho.

Nesta sexta-feira, saiu de abertura aos 141.048,97 e, na mínima, oscilou para os 141.000,04 pontos. No fechamento, marcava alta de 0,26%, aos 141.422,26 pontos, com giro a R$ 23,2 bilhões.

Na semana, o Ibovespa acumulou ganho de 2,50%, no que foi o seu quarto avanço semanal consecutivo e o melhor intervalo desde as sessões entre 4 e 8 de agosto, quando havia subido 2,62%. No mês, o ganho de 6,28% foi o maior para o índice desde o agosto anterior, então em alta de 6,54%. No ano, o Ibovespa sobe 17,57%. A alta desta sexta-feira foi o terceiro ganho diário consecutivo para o índice.

Em dólar, o Ibovespa havia encerrado o mês de junho a 25.552,45 e, no fechamento de julho, recuou para 23.759,29, com a apreciação de 3% para o dólar frente ao real no mês e o recuo nominal de 4% para o índice da B3, convergindo então também para níveis de abril (23.793,63), em patamar um pouco abaixo do visto no fechamento de maio (23.957,79). Na ocasião, o Ibovespa, pela primeira vez, sustentou a marca de 140 mil pontos, então em máxima histórica no dia 20 de maio, elevada à casa de 141 mil em 4 de julho.

Com a máxima a 141,4 mil no fechamento desta sexta-feira, o Ibovespa vai agora a 26.083,04, considerando a queda de 3,19% da divisa americana no mês.

"Notícias favoráveis do exterior, como o PCE métrica de inflação preferida do Fed para a inflação dentro do esperado, sustentam a expectativa de cortes de juros mais cedo possivelmente em setembro nos Estados Unidos", diz Rodrigo Moliterno, head de renda variável da Veedha Investimentos, destacando o desempenho de papéis de consumo (embora muito enfraquecido no fechamento, com o ICON em alta de apenas 0,26%), em dia um pouco mais "pesado", desfavorável, para alguns papéis do setor de metais, como CSN (ON -1,55%), Usiminas (PNA -1,35%) e Gerdau (PN -0,77%). O índice de materiais básicos (IMAT) fechou em baixa de 0,18%

Na ponta ganhadora do Ibovespa na sessão, destaque para Raízen (+7,34%), Marfrig (+5,37%) e Magazine Luiza (+4,46%). No lado oposto, RD Saúde (-6,90%), Porto Seguro (-1,99%) e Prio (-1,84%). Entre as blue chips, Petrobras ON e PN subiram 0,81% e 0,55%, pela ordem, enquanto Vale ON mostrou alta de 0,29% no fechamento. Entre os maiores bancos, os ganhos da sessão foram de 0,14% (Santander Unit) a 1,62% (Banco do Brasil ON) no encerramento.

Na sessão, destaque para Raízen, com a ação reagindo ao anúncio de venda de mais duas usinas por R$ 1,54 bilhão, aponta Marcelo Bolzan, sócio da The Hill Capital. "É muito positivo para a empresa, que está bastante alavancada: os desinvestimentos são necessários para ajustar o nível de endividamento", acrescenta. Na contramão, aponta Bolzan, vieram as ações da Natura, após ganhos em sessões anteriores.

De forma geral, a semana foi de forte avanço para o Ibovespa, nas máximas históricas, em movimento embasado nesta sexta-feira pelo alinhado PCE nos Estados Unidos, observa também Gabriel Cecco, especialista da Valor Investimentos. Ele destaca, no gráfico semanal, posição acima das médias móveis para o índice da B3, em que consolida viés positivo que pode alçá-lo, em prazo mais longo, até os 150 mil pontos. "Há suporte importante na faixa de 137 a 138 mil pontos e, olhando para frente, o gráfico mostra que o índice pode buscar a faixa de 143,9 mil a 146,8 mil pontos, há espaço para isso", acrescenta, referindo-se também ao impulso recebido pelo Ibovespa ao longo das últimas quatro semanas.

"O índice superou uma resistência importante na região dos 141.300 pontos, o que reforça o viés positivo no curto prazo", reforça Lucas Carvalho, head de Research da Toro Investimentos.

Para Bruna Centeno, economista e advisor da Blue3 Investimentos, o Ibovespa veio de um mês de julho complicado, em que acumulou perda de mais de 4%, e com o impulso visto nesta última semana de agosto a Bolsa brasileira se colocou entre os destaques globais de alta, movida pelo apetite por risco. "O Ibovespa conseguiu se manter em ambiente bastante positivo mesmo com as incertezas em torno da aplicação da Lei de Reciprocidade" comercial, pelo Brasil, na já desgastada relação com os Estados Unidos, observa Bruna.