Ibovespa tem 2ª melhor marca após 1º turno com alívio externo e trade eleitoral

20/10/2026 às 17:45 atualizado por Caroline Aragaki - Estadão
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As pesquisas mostrando o senador Flávio Bolsonaro ainda na liderança das intenções de voto à Presidência da República, junto da possibilidade de avanço por um acordo no Oriente Médio, abriram um apetite por risco firme nos ativos domésticos. O candidato do PL é visto pelo mercado financeiro como mais favorável ao ajuste fiscal. Tanto que o Ibovespa fechou no maior nível desde o dia 9 de outubro, quando bateu recorde histórico.

Como destaque, a queda do petróleo levou ao entendimento de inflação menor e deu espaço para que as ações mais sensíveis a juros liderem os ganhos, com Magazine Luiza (14,79%) e Vamos (8,32%). Entre as blue chips, bancos subiram entre BB ON (1,04%) e Unit do BTG Pactual (4,36%), também pela tese de que o afrouxamento monetário futuro deve ajudar a diminuir a inadimplência e, com isso, favorecer os balanços do setor.

Entre os levantamentos divulgados nesta terça-feira, 20, Real Time Big Data mostra o senador Flávio Bolsonaro (PL) com 52% das intenções de voto contra 48% do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), considerando os votos válidos. Já Alfa Inteligência aponta Flávio com 48,8% das intenções de votos totais, na comparação com 45,9% do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o que configura empate técnico. Em votos válidos, Flávio registrou 51,5% dos votos, contra 48,5% do petista.

"Acredito que o mercado ganhou confiança com as pesquisas de hoje [terça-feira], cravando que o Flávio está na frente de maneira sólida. Isso despertou o apetite dos investidores para tomar risco, tanto que o Ibovespa subiu forte e o dólar caiu bem", afirma o analista de investimentos Gabriel Mollo, da Daycoval Corretora, apontando também o fechamento da curva de juros doméstica.

Após máxima aos 208.941,57 pontos (+1,88%) à tarde, o Ibovespa moderou os ganhos e fechou com alta de 1,57%, aos 208.295,98 pontos, e giro financeiro de R$ 29,1 bilhões.

Para o analista Pedro Galdi, da AGF, a perda de fôlego ocorre apenas devido à "volatilidade por conta do trade eleitoral". Ainda assim, ele nota que, após algumas quedas, o mercado hoje beneficiou as ações cíclicas, por conta da queda dos juros e do dólar. "Recentes pesquisas eleitorais apontam empate técnico, mas com ligeira vantagem do candidato Flávio. Este é o vetor", comenta.

O pano de fundo externo também propiciou o apetite por risco. O Brent para dezembro fechou em baixa de 0,69%, a US$ 108,79 por barril, com relatos de avanço em um acordo entre Estados Unidos e Irã para encerrar a guerra no Oriente Médio. "Se houver acordo, o petróleo cede e traz menos inflação para o mundo. Consequentemente, tem adiamento da alta de juros pelo Fed e os investidores, principalmente os estrangeiros, vão querer tomar risco. Boa parte pode vir para o Brasil", complementa Mollo, da Daycoval.

Apesar da commodity, Petrobras conseguiu retomar fôlego no fim da sessão e subiu 0,48% (ON) e 0,36% (PN), enquanto Vale recuou 1,39% por conta do minério de ferro no vermelho.