Juros: DIs recuam com baixa de dólar e rendimentos dos Treasuries, de olho em EUA-Irã

08/05/2026 às 18:06 atualizado por Caroline Aragaki - Estadão
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A queda do dólar (abaixo de R$ 4,90) balizou um fechamento da curva de juros brasileira visto desde cedo, respaldado também pelo recuo dos rendimentos dos Treasuries. O conflito no Oriente Médio continua no centro das atenções e, embora o petróleo tenha fechado em alta nesta sexta-feira, a commodity tombou 6% na semana e o mercado entende que há certo "otimismo cauteloso" com as negociações entre Estados Unidos e Irã para encerrar a guerra. Na semana, os contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) cederam cerca de 10 pontos-base na ponta curta e 20 pontos a partir dos vértices intermediários.

O contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2027 fechou com taxa de 14,04%, contra 14,069% do ajuste da quinta-feira. A taxa do vencimento de janeiro de 2029 encerrou em 13,50%, de 13,56% na quinta. E na ponta longa, o DI para janeiro de 2031 cedeu para 13,59%, contra 13,66% do ajuste anterior.

O gestor de renda fixa da Inter Asset, Ian Lima, considera que a expectativa por alguma resolução geopolítica, com enfraquecimento do dólar e preço do petróleo mais acomodado, dita a performance da curva de juros nesta sexta-feira. Ele relembra que, nesta semana, a Casa Branca avaliou estar próxima de um acordo com o Irã para encerrar a guerra.

O economista-chefe do Grupo CVPAR, Marcelo Fonseca, nota que a visão que tomou corpo ao longo da semana é de que o final do conflito está se aproximando, vide notícias de negociações entre EUA e Irã. "A valorização tremenda do real obviamente ajuda o mercado de renda fixa. É muito mais pelo cenário externo do que doméstico. Já aqui, o cenário está cada dia mais desafiador para o BC: economia forte, mercado de trabalho apertado, e rendimentos crescendo a um ritmo incompatível com a meta", destrincha.

Apesar de o petróleo ter fechado em alta de 0,64% (WTI) e 1,23% (Brent) nesta sexta, após EUA, Irã e Emirados Árabes trocarem ataques, Lima considera que os preços dos barris ainda mostram que o mercado financeiro está "cautelosamente otimista" sobre um desfecho do conflito. "O petróleo é aquela história, de momento. Enquanto não tiver conclusão clara, a volatilidade vai continuar. Mas o preço está mais acomodado", disse.

As justificativas para um real mais apreciado vêm tanto da commodity a um nível mais elevado, quanto do fato de o relatório de emprego dos Estados Unidos, o payroll, ter reduzido os temores de estagflação. O indicador mostrou criação de 115 mil empregos em abril em termos líquidos, dado bem acima da mediana das estimativas colhidas pela pesquisa Projeções Broadcast, de abertura de 63 mil postos de trabalho.