Lucro da Caramuru sobe 2,8% no 2º tri; margens pressionam e alavancagem avança
São Paulo, 14 - A Caramuru Alimentos encerrou o segundo trimestre de 2026 com lucro líquido de R$ 179,1 milhões, alta de 2,8% em relação aos R$ 174,2 milhões registrados em igual período do ano passado. A receita líquida cresceu 5,6%, para R$ 2,104 bilhões, enquanto o Ebitda ajustado avançou 11,6%, para R$ 291,3 milhões. A margem Ebitda ajustada subiu para 13,8%, ante 13,1% no segundo trimestre de 2025.
O desempenho foi apoiado pelo aumento dos volumes comercializados, que cresceram 8,9%, para 721,6 mil toneladas. A originação de grãos avançou 61,2%, para 673,6 mil toneladas, puxada principalmente pela soja, com alta de 59,1%, para 614,4 mil toneladas. A originação de milho saltou de 4 mil toneladas para 49,7 mil toneladas.
Entre os negócios, o principal impulso para a receita veio do segmento de commodities diferenciadas, que reúne produtos de maior especificação, como farelos proteicos e ingredientes derivados da soja. A receita da divisão cresceu 17,4% no trimestre, para R$ 778,7 milhões, com avanço de 18,1% no volume vendido. A participação do segmento na receita total aumentou de 33% para 37%.
A melhora da receita, porém, não se refletiu de forma uniforme nas margens. Em commodities diferenciadas, o lucro bruto caiu 35,6%, para R$ 76,2 milhões, e a margem bruta recuou de 17,8% para 9,8%. Segundo a companhia, a menor margem no processamento da soja e a valorização do real frente ao dólar pressionaram a rentabilidade.
Em commodities tradicionais, a receita cresceu 2,4%, para R$ 491,1 milhões, apoiada por volume 17,4% maior. A rentabilidade, contudo, ficou negativa: o segmento registrou prejuízo bruto de R$ 34,1 milhões no trimestre, ante lucro bruto de R$ 21,3 milhões um ano antes, com a margem passando de 4,4% positiva para 6,9% negativa. A Caramuru também atribuiu a piora a preços menores e à valorização do real.
Biocombustíveis foi outro ponto de pressão. A receita líquida caiu 3,3%, para R$ 568,6 milhões no trimestre. No primeiro semestre, a retração foi de 14,3%, para R$ 1,057 bilhão, diante de redução de 6,7% no volume vendido e de 8,3% no preço médio. A companhia afirmou que a manutenção da mistura obrigatória de biodiesel em 15%, sem a implementação do B16, limitou o crescimento da demanda e pressionou os preços do biocombustível.
Considerando os ajustes de glicerina e créditos de descarbonização, a margem bruta de Biocombustíveis caiu para 8,9% no primeiro semestre, ante 31,6% em igual período de 2025. O lucro bruto ajustado do segmento recuou 74,9%, para R$ 104,7 milhões.
A melhora consolidada do trimestre ocorreu apesar da forte alta dos gastos logísticos. As despesas com fretes cresceram 41,7%, para R$ 236,2 milhões, e passaram a representar 11,2% da receita líquida, ante 8,4% um ano antes. Segundo a Caramuru, a elevação decorreu principalmente do aumento do preço do diesel. As despesas portuárias e de exportação avançaram 50,9%, para R$ 34,5 milhões.
No acumulado do primeiro semestre, o quadro foi mais pressionado. A receita líquida caiu 0,6%, para R$ 3,736 bilhões; o Ebitda ajustado recuou 30,9%, para R$ 293,6 milhões; e o lucro líquido diminuiu 26%, para R$ 214,6 milhões. A companhia atribuiu parte da pressão à valorização do real, cuja taxa média passou de R$ 5,7554 por dólar no primeiro semestre de 2025 para R$ 5,1524 neste ano. Segundo a Caramuru, o movimento retirou R$ 447 milhões da receita bruta no período, efeito parcialmente compensado pelo aumento dos volumes e dos preços praticados.
A dívida líquida encerrou junho em R$ 2,766 bilhões, alta de 11,1% em um ano. A relação entre dívida líquida e Ebitda ajustado dos últimos 12 meses subiu para 4,06 vezes, ante 3,46 vezes em junho de 2025.



