Lucro da SLC Agrícola cai 53,8% e atinge R$ 236,1 milhões no 1º trimestre

14/05/2026 às 10:52 atualizado por Gabriel Azevedo - Estadão
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São Paulo, 14 - A SLC Agrícola encerrou o primeiro trimestre de 2026 com lucro líquido de R$ 236,1 milhões, queda de 53,8% em relação a igual período do ano passado. A receita líquida somou R$ 2,267 bilhões, recuo de 2,7%, refletindo menor volume faturado de algodão em pluma, soja e caroço de algodão no trimestre, segundo a companhia. O resultado bruto caiu 12,3%, para R$ 943,2 milhões, com margem de 41,6%, ante 46,2% no primeiro trimestre de 2025. O resultado operacional recuou 27,9%, para R$ 624,4 milhões, e a margem operacional passou de 37,2% para 27,5%. O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado somou R$ 695,2 milhões, queda de 26,3%, com margem de 30,7%, ante 40,5% um ano antes. Na carta da administração, a SLC informou que a queda do Ebitda ajustado foi explicada principalmente pela redução de R$ 132,5 milhões no resultado bruto das culturas, com exceção de milho e sementes. Segundo a empresa, a soja foi o principal vetor desse desempenho, por causa do mix de fazendas que faturaram no trimestre, com produtividade abaixo da média consolidada da companhia. A administração afirmou que essa "compressão de margem tende a ser revertida ao longo dos próximos trimestres", conforme forem reconhecidos volumes de fazendas com produtividade superior ao projeto. A receita líquida da soja caiu 11,7%, para R$ 1,111 bilhão. O volume faturado recuou 2,7%, para 646,5 mil toneladas. No algodão em pluma, a receita líquida somou R$ 760,9 milhões, queda de 20,1%, com volume faturado de 92,5 mil toneladas, baixa de 4,6%. O caroço de algodão registrou receita de R$ 60,1 milhões, recuo de 35%. Já a receita de milho avançou para R$ 8,1 milhões, ante R$ 1,7 milhão no primeiro trimestre de 2025. Na parte operacional, a SLC informou que finalizou a colheita de soja no fim de abril com "recorde histórico de produtividade", de 4.146 quilos por hectare. O desempenho ficou 4,7% acima do registrado na safra anterior e 2,7% superior ao projeto inicial. A área plantada de soja somou 424,6 mil hectares, crescimento de 12,5% em relação à safra 2024/25. A área total plantada da SLC na safra 2025/26 foi estimada em 830,3 mil hectares, alta de 12,8% ante a safra anterior. De acordo com a empresa, o aumento reflete a aquisição da Sierentz Agro Brasil, divulgada em março de 2025. O algodão de primeira safra está em fase final de maturação, com início da colheita previsto para junho. O algodão de segunda safra e o milho de segunda safra avançam, respectivamente, nas fases de formação de maçãs e enchimento de grãos. A companhia informou que o milho de segunda safra exige atenção adicional, porque parte das áreas foi semeada levemente fora da janela ideal. Segundo a SLC, essas lavouras dependem de volume e distribuição adequados de chuvas nas próximas semanas para consolidar o potencial produtivo. A dívida líquida ajustada encerrou março em R$ 6,6 bilhões, aumento de R$ 1,3 bilhão em relação ao fim de 2025. A relação dívida líquida ajustada sobre Ebitda ajustado passou de 1,97 vez no quarto trimestre de 2025 para 2,72 vezes no primeiro trimestre de 2026. Segundo a companhia, a alta reflete a combinação de menor Ebitda ajustado e aumento da dívida líquida no período. A geração de caixa livre melhorou 4,6%, mas permaneceu negativa em R$ 1,354 bilhão no trimestre. A SLC afirmou que o comportamento é típico para o período, em razão do aumento da área plantada e da maior necessidade de capital de giro, especialmente para pagamento de insumos da safra. A empresa também informou que os pagamentos finais pelas aquisições da Fazenda Paladino e de uma fazenda em Unaí (MG) somaram R$ 456,5 milhões no trimestre.