MT amplia exportação de carne em 2.242% em 25 anos de certificação sem aftosa
São Paulo, 23 - As exportações de carne bovina de Mato Grosso cresceram 2.242% entre 2001 e os primeiros nove meses de 2026, passando de 24,1 mil toneladas para 566,5 mil toneladas, informou o Instituto Mato-grossense da Carne (Imac). O avanço ocorreu ao longo dos 25 anos desde que o Estado foi reconhecido pela Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) como livre de febre aftosa com vacinação, condição que contribuiu para ampliar o acesso a mercados internacionais e consolidar a posição mato-grossense como maior produtor de carne bovina do Brasil.
De janeiro a setembro deste ano (2026), Mato Grosso exportou carne bovina para mais de 90 países, com receita de US$ 3,4 bilhões. A China, que não comprava a proteína mato-grossense em 2001, tornou-se o principal destino, com aquisições de 252,3 mil toneladas no período, equivalentes a 44,5% do volume embarcado pelo Estado.
Em 2001, quando as exportações somaram 24,1 mil toneladas e US$ 47,5 milhões, Mato Grosso comercializava carne bovina com 29 países. O Egito liderava as compras, com 9,7 mil toneladas, ou 40,7% do total exportado naquele ano.
Para o diretor de Projetos do Imac, Bruno de Jesus Oliveira, o crescimento reflete a combinação entre avanços sanitários e investimentos dos pecuaristas em produtividade. "A pecuária de Mato Grosso passou por uma transformação nesses 25 anos. O produtor investiu em genética, tecnologia e manejo e conseguiu aumentar a produtividade. Ao mesmo tempo, o trabalho de controle sanitário foi fundamental para garantir a segurança da produção e permitir que o Estado conquistasse espaço no mercado internacional", afirmou, na nota.
Além de contribuir para a abertura de mercados que exigem garantias sanitárias rigorosas, a certificação favoreceu a expansão da atividade pecuária no Estado. A manutenção desse status sanitário também é relevante para o acesso a destinos que oferecem melhor remuneração por determinados cortes bovinos.
Ao longo das últimas décadas, a produção mato-grossense também passou por mudanças nos sistemas de criação. No início dos anos 2000, a pecuária era predominantemente extensiva, com animais criados em grandes áreas de pastagem e menor utilização de tecnologias para elevar a produtividade.
Desde então, os produtores ampliaram os investimentos em melhoramento genético, recuperação de pastagens, suplementação alimentar e sistemas de produção mais intensivos. As mudanças permitiram elevar a produtividade por hectare e melhorar a qualidade dos animais destinados ao abate.



