O agro tem como desafio levar tecnologia para o pequeno produtor

14/05/2026 às 17:32 atualizado por Carlos Eduardo Valim - Estadão
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Desde os anos 1970, quando o Brasil ainda era um importador de alimentos, o País venceu diversos desafios pela produtividade de sua agropecuária. Agora, não há necessidade de ocupar mais terras e de abertura de novas fronteiras agrícolas, mas de criar políticas de acesso digital para o pequeno produtor, concluíram os participantes do painel O salto da produtividade: O Brasil como fronteira tecnológica, nesta quinta, 14, durante o São Paulo Innovation Week (SPIW), parceria do Estadão com a Base Eventos. Participaram do debate o sócio da PwC Agtech Innovation Dirceu Júnior, o chefe de inovação e estratégia da SLC Agrícola, Frederico Logemann, o CEO do Instituto Equilíbrio, Eduardo Bastos, e o coordenador do Centro de Estudos do Agronegócio da FGV Agro, Guilherme Bastos. "A tecnologia, com IA, traz os pequenos para o jogo", defende Guilherme Bastos. "A pequena propriedade com baixa produção também precisa usar tecnologia, porque já se sente no campo a falta de mão de obra que afeta diversos setores." Segundo ele, existem dois grupos de pequenos produtores no País. De acordo com o último censo, 1 milhão deles interage com o mercado, mas existem mais quase 4 milhões que são pobres e não podem ser tratados como produtores rurais formais. "O desafio para os próximos 30 anos está em incorporar o pequeno produtor ao mercado", complementa. Agora, o setor agropecuário precisa de dados atualizados da produção brasileira, para saber em que ponto o Brasil está na produção no campo. O último Censo Agro foi publicado pelo IBGE em 2017. "Um novo censo é necessário para avaliar a evolução do setor com mais detalhe ao longo de 10 anos", diz. "O País não tem seriedade no levantamento de dados." Um dos desafios está em levar conectividade para o campo, que, segundo os últimos dados, estaria apenas 25% coberto por acesso à internet, diz Dirceu Júnior, da PwC. "Existe uma disparidade muito grande no Brasil. A tecnologia não é inclusiva e democrática", diz. "A IA generativa e uso dos dados, o Big Data, são o que muda o jogo, porque a agricultura deixa de ser reativa para olhar para a frente. É a maneira que permite fazer previsão e perceber novos cenários pela frente." As grandes empresas do setor já estão na fronteira tecnológica. "Na SLC não pensamos mais em expansão de território", afirma Frederico Logemann, da empresa, que atualmente possui 830 mil hectares, o que a coloca entre as maiores donas de terras do planeta. Para administrar tamanho espaço de produção, a empresa testa e investe em diversas tecnologias. "Mas primeiro de tudo vem a conectividade", diz Logemann. "A gente sempre teve ganho de escala e discutimos o limite máximo de espaço que pode ser administrado por um único gestor e uma equipe única. Há 20 anos, eram 20 mil hectares. Hoje já são 70 mil hectares, com o uso de telemetria, pluviômetros digitais e imagem via satélite em tempo real", finalizou. São Paulo Innovation Week Maior festival global de tecnologia e inovação, o SPIW é realizado pelo Estadão em parceria com a Base Eventos, no Pacaembu e na Faap, até sexta, 15. Entre os mais de 2 mil palestrantes convidados para os três dias do evento estão especialistas brasileiros e estrangeiros em áreas como ciência, saúde, educação, agronegócio, finanças, mobilidade, geopolítica, esportes, sustentabilidade, arte, música e filosofia, entre muitas outras.