Opep mantém projeções de produção de líquidos e crescimento do PIB do Brasil em 2026 e 2027

13/07/2026 às 12:40 atualizado por Pedro Lima - Estadão
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A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) elevou a estimativa de crescimento da produção brasileira de combustíveis líquidos em 2026 e reduziu a de 2027, embora tenha mantido inalteradas as projeções para a produção média nos dois anos. A entidade passou a prever expansão de 340 mil barris por dia (bpd) em 2026, ante 270 mil bpd no relatório anterior, ainda para uma média de 4,7 milhões de bpd. Para 2027, a expectativa de crescimento foi reduzida de 140 mil bpd para 110 mil bpd, mantendo a produção média projetada em 4,8 milhões de bpd.

Segundo a organização, a produção brasileira de petróleo bruto recuou cerca de 41 mil bpd em maio ante abril, para uma média de 4,3 milhões de bpd. A produção de líquidos de gás natural (NGLs, na sigla em inglês) permaneceu praticamente estável em torno de 104 mil bpd e deve seguir nesse patamar em junho, enquanto a produção de biocombustíveis, principalmente etanol, ficou estável em aproximadamente 700 mil bpd. Com isso, a produção total de combustíveis líquidos caiu cerca de 40 mil bpd na margem em maio, para uma média de 5,1 milhões de bpd, volume ainda 700 mil bpd superior ao registrado um ano antes.

Para 2026, a Opep avalia que a expansão da oferta brasileira continuará sendo impulsionada pelo aumento da produção nos projetos de Búzios, Mero, Marlim, Bacalhau e Wahoo, além de novas entradas em operação no cluster de Albacora Leste. Em relação ao relatório anterior, a entidade acrescentou que atualizações recentes da Petrobras confirmam o avanço da produção em todo o complexo de Búzios, incluindo o ramp-up da plataforma P-78 e os preparativos para a entrada da P-80, reforçando o campo como a principal fonte de crescimento da produção offshore brasileira nos próximos meses.

Para 2027, a organização continua projetando crescimento da produção em Búzios, Bacalhau e Wahoo, além de novos projetos no campo de Búzios e nos ativos do cluster Pampo-Enchova. A Opep, contudo, voltou a alertar que custos de desenvolvimento mais elevados e a persistência da inflação podem reduzir a atratividade econômica dos projetos offshore, atrasar decisões finais de investimento e moderar o ritmo de expansão da oferta.

Na esfera macroeconômica, a entidade manteve as projeções para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil em 2,0% em 2026 e 2,2% em 2027. A organização avalia que a atividade econômica segue sustentada pelo consumo das famílias, pelos investimentos e pelo desempenho do setor agrícola. Em relação ao mês passado, porém, passou a citar como fator de risco a possibilidade de os Estados Unidos imporem tarifas de 25% sobre importações brasileiras. A Opep também reiterou que o ritmo do afrouxamento monetário dependerá da evolução da inflação e da atividade econômica.