Preços dos combustíveis recuam em junho, mas pressões ainda persistem, aponta Veloe e Fipe

01/07/2026 às 16:11 atualizado por Denise Luna - Estadão
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Os preços dos combustíveis voltaram a recuar em junho, puxados principalmente pela queda do etanol hidratado, segundo dados do Monitor de Preços de Combustíveis da Veloe/Fipe. O biocombustível teve retração de 4,7% em relação a maio, a maior entre os combustíveis acompanhados, e encerrou o mês com preço médio de R$ 4,265 por litro. Nas capitais, a média foi de R$ 4,425 por litro.

A redução do etanol foi atribuída ao avanço da moagem de cana no Centro-Sul, que aumentou a oferta e ampliou a competitividade do produto frente à gasolina comum. A gasolina teve recuo bem mais discreto, com queda de 0,3% no mês, para R$ 6,727 por litro. A gasolina aditivada também baixou 0,3%, fechando junho a R$ 6,866 por litro.

Já o diesel comum ficou 2% mais barato, com preço médio de R$ 6,988 por litro, e o diesel S-10 recuou 1,4%, para R$ 7,111 por litro. O Gás Natural Veicular (GNV) foi a exceção do período e subiu 1,4%, para R$ 4,654.

Apesar da segunda queda mensal consecutiva, o Monitor aponta que os preços ainda carregam pressões acumuladas ao longo do primeiro semestre. O diesel segue como o combustível com maior alta em 2026. O S-10 acumula valorização de 15,1% no ano e o diesel comum, de 14,1%. No mesmo recorte, a gasolina comum sobe 7,1% e a aditivada, 6,8%, enquanto apenas o etanol apresenta queda no semestre (-4,7%).

Na comparação com junho do ano passado, o quadro também indica altas para diesel e gasolina. O diesel S-10 acumula avanço de 16% em 12 meses e o diesel comum, de 15%; a gasolina comum subiu 6,6% e a aditivada, 6,2%. O etanol, por outro lado, recuou 0,9% no período, e o GNV caiu 3,4%.

"O comportamento dos preços em junho consolida um processo de acomodação iniciado no mês anterior, mas ainda não reverte integralmente as pressões acumuladas ao longo de 2026. A principal mudança ocorreu no etanol, cuja maior oferta elevou sua competitividade frente à gasolina, enquanto os derivados de petróleo continuam condicionados tanto ao cenário internacional quanto à dinâmica doméstica de repasses", avaliou o superintendente de Negócios B2B da Veloe, Mauro Kondo.

O levantamento também aponta que, além do ambiente externo menos tensionado - com redução parcial dos prêmios de risco após a retomada de parte do fluxo de embarcações pelo Estreito de Ormuz -, a demanda interna segue elevada e tende a reduzir a velocidade de repasses de queda ao consumidor.