Progresso com avanço EUA-Irã estimula alta do Ibovespa, que segue NY

22/06/2026 às 11:37 atualizado por Maria Regina Silva - Estadão
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Investidores iniciam a semana digerindo a nova rodada de projeções no boletim Focus, especialmente para a taxa Selic, cuja estimativa para 2026 subiu de 13,75% para 14% ao ano. O aumento da taxa vem após a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), que trouxe um comunicado confuso, segundo analistas, e pode ser esclarecido na ata, que sai amanhã. Paralelamente, o mercado monitora as negociações de paz entre Estados Unidos e Irã.

Nesse ambiente, o Ibovespa sobe nesta segunda-feira, 22, acompanhando as bolsas de em Nova York, após o feriado na sexta-feira nos Estados Unidos. Após abrir com viés de baixa, em 168.333,95 pontos, o Índice Bovespa foi para o positivo e renovou máxima, na marca de 170 mil pontos. A valorização é puxada principalmente por ações de bancos e algumas ligadas ao consumo.

Depois do comunicado do Copom da decisão na semana passada, a leve piora nas projeções no Focus sempre é um fator que merece ser observado, segundo Felipe Cima, especialista em renda variável da Manchester Investimentos. "Mas se petróleo seguir moderado, a inflação pode ficar mais na dependência do El Niño. Isso seria mais para frente, para setembro, outubro. Temos de monitorar, ver como o mercado reagirá ás expectativas de juros", afirma.

Nesta semana, também ficam no foco o Relatório de Política Monetária (RPM), na quinta-feira, e o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) de junho, no mesmo dia.

No exterior, as atenções se concentram no indicador de inflação PCE e na terceira leitura do Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados Unidos no primeiro trimestre, além de PMIs industriais.

O avanço do Índice Bovespa ocorre em meio ao cenário menos adverso, diante do progresso nas conversas entre EUA e Irã, que coloquem fim à guerra Oriente Médio, incluindo esforços para garantir a segurança da navegação no Estreito de Ormuz. Isso, alivia bolsas, juros e valoriza moedas de emergentes como o real.

"Esses avanços contribuem para reduzir a percepção de risco geopolítico dos investidores e favorecem o desempenho de ativos de maior risco, entre eles o real, exercendo pressão baixista sobre a taxa de câmbio", diz em nota Leonel Oliveira Mattos, analista de Inteligência de Mercados da StoneX.

Neste cenário, o petróleo recuo, o que puxa para baixo ações do setor, caso dos papéis da Petrobrás. Já Vale virou para o positivo há pouco, apesar da queda de 0,87% do minério de ferro em Dalian. Outras ações de primeira linha - as de grandes bancos - sobem.

No campo corporativo, Petrobras e Vale são foco. A estatal aprovou investimento de US$ 1,2 bilhão na implantação de uma planta de bioquerosene de aviação e diesel renovável. Já a Vale convocou uma assembleia a pedido do Previ, acionista da mineradora. Além disso, a B3 estuda alterar a metodologia do Ibovespa e fazer benchmarking com índices internacionais para adotar um método mais moderno, que represente melhor o mercado brasileiro, relata o Brazil Journal. As ações da B3 subiam 2,36%, por volta das 11 horas.

Nesta segunda, o Boletim Focus mostrou que a mediana para a inflação suavizada nos próximos 12 meses subiu de 4,11% para 4,14%. A estimativa para o IPCA de 2026 foi de 5,30% para 5,33%, acima do teto da meta de inflação, de 4,5%. Fora o avanço na projeção mediana para a Selic em 2026, as demais ficaram inalteradas.

Na semana passada, o Copom reduziu a Selic em 0,25 ponto porcentual, conforme o esperado, para 14,25%, mas deixou dúvidas no comunicado quanto aos próximos passos da política monetária.

"Se o texto da ata confirmar a postura restritiva do comunicado do Copom e sinalizar que o Banco Central não tem pressa em cortar juros, o real ganha suporte e o dólar tende a ceder. Se a ata vier com tom mais dovish - sugerindo cortes mais rápidos do que o mercado precifica -, o efeito se inverte e o dólar reage para cima", diz João Luís Debom, heal do private da Supernova Investimentos.

Na sexta-feira, o Ibovespa fechou em alta de 0,03%, aos 168.333,61 pontos, mas encerrou a semana com desvalorização de 1,64%.

Às 11h08 desta segunda-feira, o Índice Bovespa subia 0,80%, aos 169.686,88 pontos, ante alta de 1,18%, na máxima em 170.311,97 pontos, e mínima em 168.326,26 pontos, com variação zero. Esse nível é praticamente o da abertura (168.333,95 pontos).

Vale subia 0,48% e Petrobras recuava entre 0,72% (PN) e 1,18% (ON). Entre bancos, as altas superavam 1% em sua maioria. Só Unit de Santander cedia 0,04% e Unit de BTG subia 3,20%.