São Martinho tem lucro líquido de R$ 424,1 milhões no 3º tri da safra 2025/26
São Paulo, 10 - A São Martinho reportou lucro líquido de R$ 424,1 milhões no terceiro trimestre da safra 2025/26, encerrado em 31 de dezembro. O resultado representa alta de 168,5% ante o registrado em igual período da safra 2024/25, de R$ 157,9 milhões.
Segundo a companhia, o avanço foi reflexo, principalmente, do reconhecimento de créditos de subvenção, da marcação a mercado dos contratos derivativos de dívidas de longo prazo devido a oscilações do CDI, parcialmente compensados pelo impacto negativo da variação dos ativos biológicos em virtue da queda no preço do açúcar e consequente impacto no Consecana.
O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado da companhia sucroenergética teve queda de 25,6% na comparação anual, para R$ 787,1 milhões, com margem Ebitda ajustado de 49,4% (-8,0 pontos porcentuais ante o terceiro trimestre do ciclo anterior). "O desempenho reflete a estratégia de comercialização e os desdobramentos detalhados nas sessões anteriores", afirmou a companhia no release de resultados.
A receita líquida da São Martinho alcançou R$ 1,593 bilhão no terceiro trimestre da safra, queda de 13,6% na comparação anual. Segundo a São Martinho, o resultado foi decorrente "principalmente do menor volume vendido de etanol, em função da estratégia de comercialização com maior alocação de produto no quarto trimestre da safra associado com melhores preço do biocombustível, e menores preços e volumes comercializados de CBIOs".
Esses efeitos foram parcialmente compensados pela expansão das receitas de energia elétrica (+6,2%), Levedura (+97,0%) e DDGs (+7,4%).
A receita líquida das vendas de açúcar resultou em R$ 784,9 milhões no trimestre, um avanço de 3,3% frente ao terceiro trimestre da safa anterior, decorrente do aumento de volume comercializado (+11,8%), beneficiado pela base de comparação mais fraca, quando a operação foi impactada por queimadas.
Já a receita líquida das vendas de etanol totalizou R$ 620,7 milhões no período, representando uma queda de 33,1% em relação ao terceiro trimestre de 2024/25, decorrente do menor volume comercializado (-38,8%) no trimestre, parcialmente compensado pelo aumento do preço (+9,4%). A performance reflete a estratégia comercial do biocombustível, com maior volume alocado para o último trimestre da safra em virtude das melhores condições de mercado e preço, disse a companhia.
O lucro caixa da São Martinho ficou em R$ 187,7 milhões no trimestre, aumento de 0,7%. A alavancagem, medida pela relação entre dívida líquida e Ebitda, passou de 1,34 vez em dezembro de 2024 para 1,82 vez ao fim do igual mês de 2025.
Safra
Ao término do período de moagem, conforme fato relevante divulgado em 10 de novembro de 2025, a São Martinho processou aproximadamente 21,7 milhões de toneladas de cana-de-açúcar na safra, uma redução de 0,5% em relação à safra anterior. A performance na safra é reflexo da menor ocorrência de chuvas durante o período de crescimento do canavial, com impacto na menor produtividade no período (-3,8%) assim como no menor ATR médio (-2,2%).
As operações de cana-de-açúcar produziram cerca de 1,4 milhões de toneladas de açúcar (+7,1%) e 1,1 bilhão de litros de etanol (-7,9%). Nos nove primeiros messes da safra, o processamento de milho adicionou 175,0 milhões de litros de etanol (+4,4%), 111,7 mil toneladas de DDGS (+3,8%) e 6,2 mil toneladas de Óleo de milho (+0,6%).
No acumulado dos nove meses da safra 2025/26, a receita líquida atingiu R$ 5,190 bilhões (-4,9% ante igual período do ciclo anterior), afetada por menores preços e volumes comercializados de açúcar e etanol, parcialmente mitigados pelo crescimento das receitas de energia elétrica (+21,1%), levedura (+49,5%) e DDGs (+20,7%). O Ebitda ajustado totalizou R$ 2,409 bilhões (-9,9%), com margem de 46,4% (-2,6 pontos porcentuais).
Em 31 de dezembro de 2025, a dívida Líquida da Companhia atingiu R$ 5,8 bilhões (+17,5% ante um ano antes). A expansão do endividamento decorre das novas captações, principalmente a emissão de debêntures e Certificado de Recebíveis do Agronegócio (CRAs), informou a São Martinho.



