Show Rural: Bradesco projeta crescer até 20% na carteira agro, diz diretor

11/02/2026 às 18:07 atualizado por Gabriel Azevedo* - Estadão
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Cascavel, 11 - O Bradesco projeta crescimento entre 15% e 20% na carteira direta de agronegócio em 2026, hoje estimada em R$ 120 bilhões, e pretende avançar justamente em um momento de maior cautela no crédito rural. Enquanto concorrentes reduzem exposição e o mercado de capitais encolhe a oferta de Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA) e fundos do agronegócio (Fiagro), o banco afirma que vai ampliar equipe e reforçar a presença em feiras do setor. "Alguns bancos diminuíram o posicionamento. As agfintechs devem se expor menos. Isso é oportunidade para buscar os melhores riscos e crescer", afirmou o diretor de agronegócio do banco, Roberto França, no Show Rural Coopavel, em Cascavel (PR). França separou o momento financeiro da saúde da atividade agrícola. Segundo ele, a produção no campo segue rentável, mas o aumento do custo do dinheiro pressiona o fluxo de caixa do produtor. "Dentro da porteira, a atividade é saudável. O produtor que plantou soja, milho ou fez pecuária tem retorno. O custo financeiro é que está consumindo a caixa livre", disse. Com a taxa Selic em 15%, o crédito rural com recursos livres é contratado hoje entre 18% e 22% ao ano, enquanto o Plano Safra responde por apenas cerca de um terço do financiamento total do setor. O executivo detalhou ainda a mudança estrutural no funding do agronegócio. Instrumentos privados ganharam protagonismo, como a Cédula de Produto Rural (CPR), título usado pelo produtor para financiar a safra com recursos de mercado. No caso dos CRAs, trata-se de títulos lastreados em recebíveis do agro, usados por empresas e instituições financeiras para captar recursos junto a investidores. Já os Fiagros são fundos que concentram investimentos ligados ao setor, como crédito, terras ou ativos agrícolas. Segundo França, a carteira de CPR com recursos livres já supera R$ 500 bilhões no País, e cerca de 80% de toda a concessão do Bradesco ao agronegócio ocorre fora das linhas subsidiadas. "O setor ficou grande demais para ser financiado com orçamento público. Seja qual for o governo, não há espaço para voltar atrás", afirmou. De acordo com o executivo, a mudança acompanha a expansão da produção brasileira, que deve alcançar cerca de 350 milhões de toneladas de grãos nesta safra, ante aproximadamente 100 milhões em 2001. Para 2026, o banco afirma que manterá as 17 plataformas especializadas em agronegócio, com equipes locais e regionais dedicadas, somando mais de 150 profissionais focados exclusivamente no setor. *O jornalista viaja a convite do Sicredi