Taxas de juros recuam com expectativa de acordo para cessar-fogo entre EUA e Irã
Ainda que as notícias sobre um possível cessar-fogo permaneçam desencontradas, a confirmação oficial pela Casa Branca de que os Estados Unidos mantêm canais de diálogo abertos com o Irã e estariam perto de alcançar seu objetivo na guerra continuou dando suporte à queda dos juros futuros no pregão desta quarta-feira, 25.
Encerrados os negócios, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 diminuiu de 14,176% no ajuste de terça para 14,105%. O DI para janeiro de 2029 fechou em 13,815%, vindo de 13,87% no ajuste. O DI para janeiro de 2031 caiu de 15,005% para 13,96%.
O apetite ao risco voltou e praticamente apagou a alta das taxas no final da sessão de terça, após uma fonte familiarizada com o assunto ter informado que o governo americano propôs um plano de cessar-fogo de 15 pontos a Teerã. O país persa, por sua vez, seguiu negando que haja tratativas em curso com Washington.
Já a secretária de imprensa de Donald Trump, Karoline Leavitt, disse nesta quarta que o governo iraniano "quer conversar" e que o presidente está disposto a ouvir, destacando que negociações que ocorreram nos últimos três dias têm sido "produtivas".
Refletindo o otimismo em torno da possibilidade de um acordo entre Washington e Teerã, o contrato futuro do petróleo Brent para junho caiu 2,96%, voltando a ficar abaixo de US$ 100 o barril, o que forneceu alívio às curvas de juros globais. Agentes ponderam, no entanto, que a expectativa de uma trégua no conflito é frágil, o que deve manter os juros futuros por aqui oscilando de acordo com as cotações do petróleo.
"O mercado está monotemático, operando praticamente só a guerra. Temos notícias para todos os lados, mas na margem elas estão mais positivas e timidamente o mercado começou a melhorar. Mas tudo ainda é muito incerto", observa Luiz Laudari, sócio e gestor de portfólio da Galapagos. Para ele, se o conflito de fato acabar, há um espaço relevante para correção de preços em boa parte dos ativos globais, principalmente nos juros, que foram os mais afetados desde a eclosão da guerra.
No Brasil, destaca Laudari, a curva de DIs precificava quase 300 pontos-base de corte da Selic este ano antes do confronto, quando o petróleo estava cotado a US$ 65 o barril. "Com o barril a US$ 90, a inflação não é mais a mesma, não tem mais jeito, e o tamanho potencial do ciclo do Banco Central fica vinculado ao petróleo", disse.
A curva de juros está cerca de 150 pontos-base acima do patamar pré-guerra, aponta Laudari, e o cenário é muito volátil: para ele, as taxas futuras podem abrir mais 100 pontos ou devolverem essa magnitude, a depender da normalização do fluxo no Estreito de Ormuz, o maior fator de impacto sobre os preços do petróleo.
Em relatório divulgado nesta quarta, o Barclays avalia que o mercado de juros nominais seria uma das primeiras curvas a fechar em um cenário de resolução do conflito entre EUA e Israel contra o Irã, uma vez que ainda há "margem para calibragem".
"Achamos que há espaço para alívio se o petróleo se estabilizar", afirmam os analistas do banco britânico, ponderando que a sensibilidade às manchetes relacionadas às eleições deve aumentar conforme o pleito se aproxima, principalmente se as pesquisas permanecerem mostrando um cenário apertado entre o presidente Lula e o senador Flávio Bolsonaro.
Publicada antes da abertura dos negócios, levantamento da AtlasIntel mostrou os dois pré-candidatos tecnicamente empatados em eventual segundo turno. Nesta hipótese, Lula teria 46,6% das intenções de voto, contra 47,6% de Flávio. A enquete, no entanto, foi ofuscada pelo noticiário da guerra, diz Laudari, da Galapagos. "O tema da guerra está sendo dominante sobre qualquer informação nova de Brasil. Fora isso, ainda estamos suficientemente longe da eleição".



