Taxas de juros têm queda firme com tombo do petróleo e expectativa sobre fim da guerra
Entre idas e vindas do mercado local de renda fixa ao sabor das notícias sobre a guerra, o pregão desta quarta-feira, 6, foi marcado por redução relevante dos juros futuros.
Novas afirmações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de que houve discussões positivas com o Irã nas últimas 24 horas, e de que o país persa se comprometeu a não desenvolver armas nucleares, se somaram a declarações positivas feitas mais cedo. Na abertura dos negócios, Trump disse que, se Teerã concordar, o confronto no Oriente Médio chegará ao fim e o Estreito de Ormuz será reaberto, o que reacendeu esperanças de que o conflito pode terminar em breve, derrubou as cotações do petróleo e, também, as curvas de juros globais e a brasileira. O barril do Brent para julho fechou cotado a US$ 101,27, em baixa de quase 8%.
Assim como na terça, as taxas intermediárias foram as que mais cederam na sessão, mostrando maior sensibilidade à oscilação dos preços do petróleo, com devolução de mais de 20 pontos-base ante os ajustes. Mesmo diante de um cenário ainda volátil, instituições como a Santander Asset mantêm visão construtiva para a curva de juros nominal em maio, devido à percepção de que há prêmios atrativos e um número ainda limitado de cortes da Selic precificado pelo mercado.
No fechamento, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 diminuiu de 14,148% no ajuste anterior a 14,055%. O DI para janeiro de 2029 encerrou o dia em 13,52%, vindo de 13,743% no ajuste de terça. O DI para janeiro de 2031 recuou de 13,799% a 13,605%.
Estrategista de investimentos do Santander, João Freitas afirma que o mercado amanheceu com uma pauta já definida, que determinou o alívio nos ativos domésticos e globais. "Temos visto um grande 'esquenta, esfria', e hoje [quarta-feira, 6] foi um dia de 'esfria', com redução das incertezas à frente", disse. "Vínhamos de um estresse mais forte na semana passada que levou a curva a pedir mais prêmio e, hoje, com notícias que acalmaram os ânimos, houve devolução", apontou à Broadcast (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado).
Para Freitas, os acontecimentos desta quarta, no entanto, não são garantia de que a curva a termo enfrentará menos volatilidade à frente, sempre determinada pelo cenário externo, na medida em que a guerra segue para seu terceiro mês. "Tem sim a possibilidade de vivermos esse 'esquenta, esfria' por mais tempo. Nesta quarta o mercado parece que ficou mais confiante e propenso a tomar risco, mas ainda há uma incerteza sobre qual será a Selic terminal e o ritmo de cortes", observou.
Na tarde desta quarta, o mercado de opções digitais de Copom indicava apenas 23% de chance de manutenção da Selic nos atuais 14,50% na reunião de junho do colegiado. Esse porcentual chegou a alcançar 40% na última segunda, diante da visão, até então, de que o conflito entre EUA e Irã seria mais duradouro. Já a probabilidade de redução de 0,25 ponto porcentual cresceu de 54% a 66% em igual comparação.
Para a equipe de gestão e estratégia da Santander Asset, que publicou sua Carta Mensal de maio, mesmo ante um cenário global e doméstico desafiadores, é apropriado manter uma visão positiva para o mercado de juros local, com preferência por ativos prefixados. De acordo com o time de economia, liderado por Eduardo Jarra, a Selic será cortada em 0,25 ponto na próxima reunião e vai terminar 2026 em 13,25%.
Segundo a instituição, os principais vetores altistas da inflação devem voltar gradualmente à normalidade, ao mesmo tempo em que haverá um reequilíbrio também gradual entre oferta e demanda do lado da atividade e, "não menos importante, a taxa de câmbio mantém apreciação relativamente aos pares, a despeito das turbulências".



